Pastor Antônio Junior

Mensagens evangélicas, devocionais e perguntas e respostas do Pastor Antônio Junior.

Deus pode sofrer? O que significam impassibilidade e passibilidade?

Autor: Admin

Publicado: 2026-11-05

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A dúvida por trás dessas duas palavras é simples: quando a Bíblia diz que Deus ama, tem compaixão e se entristece, isso quer dizer que ele sofre como nós?

*Impassibilidade* é o nome dado à ideia de que Deus não está sujeito a sofrimento nem é dominado por acontecimentos fora do seu controle. Isso não precisa significar que ele seja frio ou indiferente. Muitos cristãos que defendem essa posição afirmam que o amor, a compaixão e a justiça de Deus são reais. O que negam é que Deus seja atingido pelas circunstâncias como nós somos, a ponto de perder a paz, o controle ou mudar em seu caráter.

*Passibilidade*, nesse debate, é a ideia de que Deus pode ser afetado de verdade pelo que acontece com suas criaturas. Quem defende essa posição entende que as passagens sobre a tristeza, a compaixão e a ira de Deus não devem ser reduzidas a um simples jeito humano de falar. Deus se importa pessoalmente com aquilo que acontece.

As duas posições procuram fazer justiça a algo que a Bíblia ensina. De um lado, Deus não muda em seu caráter nem falha em seus propósitos (Malaquias 3:6; Tiago 1:17). Ele não é pego de surpresa ou colocado à mercê de suas criaturas. De outro, a Bíblia não fala dele como alguém distante. Ela mostra Deus tendo compaixão do seu povo, se opondo ao pecado e se entristecendo com a infidelidade humana (Isaías 49:13-15; Salmo 103:13; Efésios 4:30).

Por isso, a questão não é se Deus se importa. A Bíblia deixa claro que sim. A discussão é *como* entender o que Deus sente sem imaginar que ele tenha as mesmas limitações emocionais que nós. Nós podemos sofrer porque fomos surpreendidos por uma perda, porque não conseguimos impedir algo ou porque não sabemos o que vai acontecer. Nada disso precisa ser atribuído a Deus pra reconhecer que seu cuidado é verdadeiro.

Jesus torna esse assunto ainda mais próximo de nós. Ele chorou diante da morte de Lázaro (João 11:33-35). Sofreu, foi tentado e, por isso, pode se compadecer das nossas fraquezas (Hebreus 2:17-18; 4:15). Mas é importante fazer uma distinção: Jesus é Deus que se tornou homem. Seu sofrimento humano foi real; isso, por si só, não resolve a pergunta teológica sobre se a natureza divina pode sofrer. Mostra, porém, que Deus não ficou longe do nosso sofrimento: em Cristo, ele veio até nós e o enfrentou de verdade.

Assim, não é preciso escolher entre um Deus indiferente e um Deus indefeso diante do mundo. A Bíblia apresenta um Deus constante e poderoso, que ama, ouve e age. Cristãos divergem sobre chamar esse envolvimento de “passibilidade” ou sobre como explicar sua “impassibilidade”. Mas o ponto mais importante pra quem faz essa pergunta é claro: Deus não é frio com a nossa dor, e Jesus nos dá a certeza de que ele a conhece de perto.