A Imaculada Conceição não é a concepção de Jesus. É o nome de uma doutrina católica sobre Maria, mãe de Jesus. Segundo essa doutrina, Deus preservou Maria do pecado original desde o primeiro instante em que ela foi concebida, por causa da salvação que Cristo traria. A Igreja Católica também ensina que Maria permaneceu sem pecado ao longo da vida.
É fácil confundir as duas coisas porque a Bíblia realmente conta que Jesus foi concebido de modo milagroso. Maria era virgem, e o Espírito Santo agiu para que ela se tornasse mãe de Jesus (Lucas 1:34-35; Mateus 1:18-25). Mas esse acontecimento diz respeito à concepção de Jesus, não à concepção de Maria. A doutrina da Imaculada Conceição não afirma que Maria nasceu de uma virgem.
A questão, então, é outra: a Bíblia ensina que Maria foi preservada do pecado desde que passou a existir? A resposta depende de como as diferentes tradições cristãs entendem a relação entre a Bíblia e a tradição da Igreja.
Católicos apontam, entre outras passagens, para a saudação do anjo a Maria em Lucas 1:28. Eles entendem a maneira como o anjo a chama de favorecida por Deus como um sinal da graça especial que ela recebeu. Também relacionam Maria à mulher mencionada em Gênesis 3:15, quando Deus anuncia o conflito entre a serpente e o descendente da mulher.
Essas passagens mostram a importância de Maria no plano de Deus, mas não dizem expressamente que ela foi concebida sem pecado. Ser favorecida por Deus não significa, por si só, nunca ter tido pecado. E Gênesis 3:15 anuncia a derrota da serpente, mas não descreve as condições em que Maria foi concebida. Por isso, cristãos evangélicos não consideram essas passagens uma base suficiente pra afirmar a Imaculada Conceição.
Isso não diminui Maria. Ela recebeu uma missão extraordinária, confiou em Deus e respondeu com disposição ao chamado dele (Lucas 1:38). Ao mesmo tempo, a Bíblia a apresenta louvando a Deus como seu Salvador (Lucas 1:46-47). Católicos entendem que Maria também foi salva por Cristo, só que de maneira antecipada, sendo preservada do pecado. A interpretação evangélica é que o texto não faz essa distinção e não dá motivo pra excluir Maria da necessidade de salvação comum a todos nós (Romanos 3:23).
Também não é preciso afirmar que Maria não tinha pecado pra explicar como Jesus pôde nascer sem pecado. A Bíblia atribui a concepção de Jesus à ação do Espírito Santo e apresenta o próprio Jesus como aquele que não cometeu pecado (Lucas 1:35; 1 Pedro 2:22). Ela não diz que, pra isso acontecer, sua mãe precisaria ter sido concebida sem pecado.
Em resumo, Imaculada Conceição é a doutrina católica de que Maria foi preservada do pecado original desde sua concepção. O nascimento de Jesus de uma virgem é outro assunto, ensinado claramente nos Evangelhos. Já a condição sem pecado de Maria não é afirmada diretamente nas Escrituras; por isso, a doutrina não é aceita pelos evangélicos como ensinamento bíblico.