Porque as pessoas nem sempre tratam umas às outras de acordo com o valor que Deus lhes deu. A Bíblia afirma que Deus criou homem e mulher à sua imagem (Gênesis 1:27). Nenhum dos dois é um ser humano de segunda categoria. Mas a própria Bíblia também mostra como o pecado afetou as relações humanas: em vez de cuidado e respeito, passaram a existir culpa, domínio e abuso (Gênesis 3:12-16).
Isso ajuda a entender a diferença entre o que Deus quis na criação e o que as sociedades fizeram ao longo da história. O fato de uma prática ser antiga ou muito comum não significa que Deus a aprove. Jesus usou esse mesmo raciocínio ao falar do divórcio: uma lei podia lidar com uma realidade produzida pela dureza do coração humano sem apresentar aquela realidade como o ideal de Deus desde o princípio (Mateus 19:3-8).
Essa distinção importa quando lemos leis do Antigo Testamento que hoje nos causam estranheza. Elas foram dadas a um povo que vivia num contexto muito diferente do nosso, no qual as mulheres frequentemente dependiam da família para ter sustento e proteção. Precisamos ler cada lei com cuidado: nem toda regra que procura limitar um dano numa sociedade desigual significa que a desigualdade seja boa. Também não seria correto dizer que todas essas leis deram a homens e mulheres os mesmos direitos que esperamos hoje.
No Novo Testamento, Paulo deixa claro que ser homem ou mulher não dá a ninguém uma posição melhor diante de Deus: todos os que pertencem a Cristo recebem a mesma promessa (Gálatas 3:26-29). Isso não quer dizer que homens e mulheres sejam idênticos em tudo. Também existem diferenças de interpretação entre cristãos sobre as funções de homens e mulheres no casamento e na igreja, especialmente em passagens como Efésios 5:21-33 e 1 Timóteo 2:12. Mas essas discussões não mudam o ponto principal: diferenças não dão a ninguém o direito de humilhar, explorar ou tratar o outro como menos valioso.
Então, a resposta não é que a Bíblia prometa uma história sem desigualdade, nem que aprove tudo o que aconteceu nas sociedades descritas por ela. A Bíblia ensina o valor de homens e mulheres diante de Deus e, ao mesmo tempo, mostra como seres humanos pecadores deixam de reconhecer esse valor na maneira de viver. A desigualdade tem sido comum não porque uma mulher valha menos que um homem, mas porque aquilo que é comum entre as pessoas nem sempre corresponde ao que é justo diante de Deus.