Em geral, os governos concedem isenção fiscal às igrejas por reconhecerem que elas são organizações sem fins lucrativos, sustentadas por contribuições voluntárias e voltadas a atividades religiosas e comunitárias. Isso não significa que toda igreja esteja livre de qualquer imposto, nem que a regra seja igual em todos os países.
Uma das razões é o serviço que muitas igrejas prestam à comunidade. Além dos cultos, elas podem distribuir alimentos, acolher pessoas em dificuldade e oferecer outros tipos de ajuda. A Bíblia incentiva os cristãos a fazer o bem a todos, especialmente aos que fazem parte da família da fé (Gálatas 6:10). A isenção pode permitir que uma parte maior dos recursos doados seja usada nessas atividades. Mas uma igreja não precisa provar que substitui o governo pra ter valor: sua atividade principal é religiosa.
Outra razão é a liberdade religiosa. Reunir-se, ensinar a fé e manter um local de culto custa dinheiro. Ao conceder isenção, o governo procura evitar que a cobrança de certos impostos dificulte essas atividades. Há também uma preocupação com a independência das instituições religiosas diante do Estado. Isso não quer dizer que igrejas não devam prestar contas ou cumprir a lei; quer dizer que o governo não deve controlar a fé que elas ensinam.
É importante separar duas coisas que às vezes são confundidas. A isenção da igreja diz respeito aos impostos que a própria instituição teria de pagar. O benefício fiscal do doador, quando existe, diz respeito aos impostos de quem faz uma contribuição. Um não implica automaticamente o outro. Nos Estados Unidos, por exemplo, as regras tributárias tratam as igrejas como organizações que podem ter isenção, mas o tratamento das doações depende das condições previstas em lei.
E o que a Bíblia diz sobre isso? Ela manda os cristãos ajudarem quem precisa (Tiago 1:27; Gálatas 6:10), mas não determina que os governos concedam isenção fiscal às igrejas. Jesus ensinou seus seguidores a cumprirem suas obrigações para com o governo (Mateus 22:21), e Paulo também falou sobre o pagamento dos tributos devidos (Romanos 13:6-7).
Portanto, a isenção fiscal é uma escolha das leis de cada lugar, não um direito tributário estabelecido pela Bíblia. Ela pode proteger a liberdade de culto e favorecer o trabalho das igrejas. Ao mesmo tempo, recebê-la não dispensa nenhuma igreja de agir com honestidade e cumprir as obrigações que a lei ainda exige.