Pastor Antônio Junior

Mensagens evangélicas, devocionais e perguntas e respostas do Pastor Antônio Junior.

O que é a Igreja Viva de Deus e em que ela acredita?

Autor: Admin

Publicado: 2026-11-05

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A Igreja Viva de Deus, conhecida também pelo nome inglês *Living Church of God*, é um grupo cristão que surgiu da tradição ligada a Herbert W. Armstrong e à antiga Igreja Mundial de Deus. Ela fala de Jesus, usa a Bíblia e anuncia a volta de Cristo. Mas algumas de suas crenças são bem diferentes das ensinadas pela maioria das igrejas evangélicas. As diferenças mais importantes dizem respeito a quem é Deus, como recebemos a salvação e quais regras do Antigo Testamento os cristãos devem seguir.

A Igreja Viva de Deus rejeita a doutrina da Trindade. Ela ensina que o Pai e o Filho são Deus, mas que o Espírito Santo é o poder de Deus, não uma pessoa divina. A fé cristã histórica entende de outra maneira. Jesus fala do Espírito como alguém que ensina, testemunha e guia seus discípulos (João 14:26; 15:26; 16:13). Ao mandar batizar, ele menciona juntos o Pai, o Filho e o Espírito Santo (Mateus 28:19). Esses textos, entre outros, fundamentam a crença cristã de que o Espírito Santo não é apenas uma força.

Outra diferença está na observância da lei dada a Israel. A Igreja Viva de Deus dá grande importância à guarda do sábado, às festas bíblicas e a certas regras alimentares. Ela também ensina que povos de origem britânica e norte-americana descendem de tribos de Israel, ideia usada para sustentar parte dessas práticas. Além disso, não celebra datas como o Natal e orienta seus membros a não participar de atividades como o serviço militar e a política eleitoral.

Aqui é importante fazer uma distinção: guardar o sábado ou deixar de comemorar uma data não significa, por si só, abandonar a fé em Cristo. A questão decisiva é se essas práticas são exigidas como condição pra pertencer ao povo de Deus ou receber a salvação. No Novo Testamento, quando alguns quiseram impor aos cristãos não judeus as exigências da lei de Moisés, os apóstolos não aceitaram isso. Pedro afirmou que tanto judeus quanto não judeus são salvos pela graça do Senhor Jesus (Atos 15:7-11). Paulo também ensinou que ninguém é declarado justo diante de Deus por cumprir a lei, mas pela fé em Cristo (Gálatas 2:16). Por isso, qualquer ensino que torne essas observâncias necessárias pra salvação entra em conflito com o evangelho.

A Igreja Viva de Deus também ensina que os mortos permanecem inconscientes até a ressurreição. Em sua compreensão do futuro, muitas pessoas que não conheceram a verdade nesta vida terão, depois, uma oportunidade de entendê-la e responder a Deus. Os que persistirem na rejeição serão destruídos, em vez de sofrer eternamente. Os cristãos divergem sobre alguns detalhes do estado após a morte e do juízo final. Ainda assim, a ideia de uma futura oportunidade de salvação pra grande parte da humanidade não é apresentada claramente no Novo Testamento. A pregação dos apóstolos chama as pessoas a se arrependerem e crerem em Cristo agora (Atos 17:30-31; 2 Coríntios 6:2). Jesus também fala com muita seriedade sobre o juízo e a punição futura (Mateus 25:46).

Há, ainda, uma diferença no sentido de “nascer de novo”. A Igreja Viva de Deus relaciona esse nascimento principalmente à ressurreição futura dos cristãos. Em João 3:3-8, porém, Jesus fala de uma obra do Espírito necessária pra pessoa entrar no Reino de Deus. Pedro escreve aos cristãos como pessoas que já nasceram de novo por causa da ressurreição de Jesus (1 Pedro 1:3). A ressurreição futura é uma esperança real, mas o novo nascimento não fica reservado apenas pra esse momento.

Portanto, a Igreja Viva de Deus não é simplesmente uma igreja evangélica com costumes diferentes. Suas diferenças atingem ensinamentos centrais da fé cristã, especialmente a identidade do Espírito Santo e a relação entre a graça de Cristo e a lei de Moisés. Ao avaliar suas crenças, o mais importante é perguntar se elas deixam claro o ensino dos apóstolos: somos salvos pela graça de Deus, por meio de Jesus Cristo, e não por cumprir regras que a igreja estabeleça como necessárias pra salvação (Efésios 2:8-9; Atos 15:10-11).