“Igreja sofredora” é o nome que a tradição católica dá aos fiéis que morreram e, segundo essa doutrina, passam por uma purificação antes de entrar plenamente na presença de Deus. Não é outro nome pra igreja perseguida, formada por cristãos que sofrem enquanto ainda vivem na terra.
A distinção fica mais fácil de entender quando vemos os três nomes usados nessa tradição: *igreja militante* é a dos fiéis que vivem na terra; *igreja sofredora* é a dos que estariam passando pela purificação no purgatório; e *igreja triunfante* é a dos que já estão no céu. Nessa visão, as pessoas no purgatório pertencem a Cristo e têm a salvação assegurada. O sofrimento ali não seria uma segunda chance de salvação, mas parte da purificação que, segundo a doutrina católica, ainda falta a elas.
Cristãos evangélicos, em geral, não aceitam essa ideia porque não encontram na Bíblia um ensino claro de que alguém salvo passe pelo purgatório depois da morte. Eles entendem que Jesus fez o necessário pra nos reconciliar com Deus. Hebreus 10:14 apresenta o sacrifício de Cristo como suficiente para aqueles que são santificados. E, ao falar da morte, Paulo expressa sua confiança de que estaria com o Senhor, sem mencionar uma etapa de purificação entre uma coisa e outra (2 Coríntios 5:8; Filipenses 1:23).
Isso não quer dizer que o sofrimento dos cristãos aqui na terra seja pequeno ou sem importância. A Bíblia mostra que seguidores de Jesus podem enfrentar perseguição e muitas outras dificuldades. Mas, quando alguém fala em “igreja sofredora” nesse sentido teológico, está falando especificamente dos mortos que estariam no purgatório, não dos cristãos que sofrem hoje.