A igreja deve receber bem quem ainda não crê e ajudar essa pessoa a entender a mensagem de Jesus. Mas não deve organizar tudo em torno das preferências dos visitantes, principalmente se isso significar deixar de falar de partes importantes do evangelho.
É essa a diferença principal. Uma pessoa que entra numa igreja pela primeira vez não precisa ser deixada de lado. Pode precisar de ajuda pra acompanhar o culto, entender palavras que nunca ouviu e se sentir à vontade pra fazer perguntas. A igreja faz bem em prestar atenção nisso. O problema começa quando o desejo de não causar desconforto passa a decidir o que pode ou não ser ensinado.
Algumas igrejas são chamadas de “voltadas para os que buscam” porque planejam seus encontros pensando especialmente em pessoas que ainda não são cristãs. Isso pode incluir linguagem mais acessível, cuidado com as crianças e atenção a quem chega pela primeira vez. Nada disso é errado por si só. O que precisa ser examinado é a mensagem que essas pessoas vão ouvir.
A Bíblia mostra que os cristãos se reuniam pra aprender o ensino dos apóstolos, orar, viver em comunhão e participar da ceia (Atos 2:42). A igreja também recebeu a missão de fazer discípulos, batizando e ensinando as pessoas a obedecer a Jesus (Mateus 28:19-20). Portanto, ela não se reúne apenas pra atrair visitantes. Ela precisa alimentar a fé dos cristãos e anunciar Cristo a quem ainda não o conhece.
Isso não quer dizer que o visitante deva ser ignorado. Ao orientar a igreja de Corinto sobre suas reuniões, Paulo considerou o que aconteceria se uma pessoa de fora entrasse. Ele queria que ela pudesse entender o que estava ouvindo e reconhecer a verdade de Deus (1 Coríntios 14:23-25). Assim, a igreja não precisa escolher entre ensinar fielmente a Bíblia e falar de um jeito compreensível. Deve fazer as duas coisas.
Ser claro e acolhedor, porém, não é o mesmo que evitar assuntos difíceis. Pra entender por que Jesus veio, a pessoa precisa saber que o pecado nos afasta de Deus, que precisamos de perdão e que Cristo morreu e ressuscitou por nós (1 Coríntios 15:3-4). Jesus chamou as pessoas ao arrependimento e à fé (Marcos 1:15). Se a mensagem se limita a dizer que Jesus vai melhorar a vida da pessoa, ela deixa de explicar por que precisamos dele como Salvador. Seguir a Cristo pode transformar nossos relacionamentos e nossa maneira de viver, mas não é uma promessa de que os problemas vão desaparecer. O próprio Jesus falou das dificuldades que seus seguidores enfrentariam (João 16:33).
Há ainda uma questão por trás da palavra “buscadores”. Romanos 3:11 diz que, por si mesmo, o ser humano não busca a Deus como deveria. Isso não significa que ninguém tenha curiosidade espiritual, entre numa igreja ou faça perguntas sinceras. Significa que não podemos depender apenas do interesse natural das pessoas pra levá-las à fé. Precisamos anunciar o evangelho e confiar que Deus age no coração de quem ouve (João 6:44; Romanos 10:14-17). Por isso, também não dá pra medir a fidelidade de uma igreja só pelo número de pessoas que ela atrai.
Então, uma igreja pode — e deve — pensar em como receber bem quem está chegando. Pode explicar o que faz, evitar linguagem desnecessariamente complicada, ouvir perguntas e tratar cada visitante com amor. Mas sua pergunta principal não deve ser “o que fará as pessoas quererem voltar a qualquer custo?”. Deve ser: “Como podemos ajudá-las a conhecer Jesus de verdade, enquanto permanecemos fiéis ao que ele ensinou?”