Pastor Antônio Junior

Mensagens evangélicas, devocionais e perguntas e respostas do Pastor Antônio Junior.

O que é a Igreja Reunião de Cristo e o que ela ensina?

Autor: Admin

Publicado: 2026-11-05

Página original no site

A Igreja Reunião de Cristo, conhecida em inglês como *Gathering of Christ Church*, é um movimento religioso que se apresenta como cristão, mas ensina uma maneira muito particular de identificar o povo de Israel. Segundo as posições descritas no material de referência, o grupo afirma que povos africanos e indígenas das Américas descendem das tribos de Israel. Também associa grupos atuais a tribos específicas, como afro-americanos à tribo de Judá e porto-riquenhos à de Efraim.

A dúvida principal é: a Bíblia permite fazer essas identificações? Ela conta a história das tribos de Israel, fala da dispersão do povo e anuncia que Deus o reuniria. Mas não fornece uma lista que ligue cada tribo a uma nacionalidade moderna. Por isso, não há base bíblica suficiente pra afirmar que determinado povo de hoje seja, como grupo, uma tribo específica de Israel.

O movimento também usa passagens sobre o sofrimento de Israel pra explicar acontecimentos muito posteriores. Um exemplo é Deuteronômio 28:68, que fala de navios e escravidão entre as consequências anunciadas a Israel pela desobediência. O tráfico transatlântico de africanos foi uma injustiça terrível. Reconhecer isso, porém, não prova que aquele versículo o tenha previsto especificamente, nem que a origem de todas as pessoas escravizadas possa ser determinada por ele. Pra chegar a uma conclusão assim, seria preciso mais do que uma semelhança entre o texto e um acontecimento histórico.

Algo parecido ocorre com Jeremias 31:8. A passagem fala de Deus reunir seu povo vindo do norte, mas não identifica esse lugar com a América do Norte. Ler um nome geográfico moderno dentro de um texto antigo, sem que o próprio texto faça essa ligação, não é um fundamento seguro.

Outro ponto que merece cuidado é o uso de Apocalipse 2:9. Ali, Jesus fala de pessoas ligadas ao conflito enfrentado pelos cristãos de Esmirna, uma cidade do primeiro século. O versículo não autoriza chamar os judeus de hoje, como povo, de “sinagoga de Satanás”. Aplicá-lo dessa forma ignora a quem a mensagem foi dirigida e faz uma acusação injusta contra uma população inteira.

Quanto ao nome de Deus, o grupo dá importância especial à expressão hebraica associada à resposta de Deus a Moisés em Êxodo 3:14. Estudar os nomes de Deus pode ser valioso. O problema é concluir que só uma forma de pronunciá-lo é legítima ou que os cristãos, ao chamá-lo de “Deus”, “Senhor” ou “Pai”, estejam invocando outros deuses. A própria Bíblia usa diferentes maneiras de se referir a ele.

O material de referência também atribui ao movimento expectativas sobre uma tribulação próxima e uma conspiração mundial. Convém não confundir essas alegações com ensinamentos claros das Escrituras, nem afirmar que toda pessoa ligada ao grupo aceita cada uma delas da mesma maneira.

Então, como avaliar a Igreja Reunião de Cristo? O ponto decisivo não é a origem étnica de seus membros, mas o que ela ensina e como chega a suas conclusões. Suas afirmações sobre a identidade das tribos e sobre os judeus atuais vão além do que as passagens citadas permitem concluir. O Novo Testamento aponta os cristãos pra Jesus Cristo, não pra descoberta de uma ascendência tribal como condição pra pertencer ao povo de Deus. Em Cristo, pessoas de diferentes povos são recebidas pela fé, sem precisar provar que descendem de uma das tribos de Israel (Gálatas 3:26-29; Efésios 2:11-19).