A Igreja Ortodoxa Russa é uma das grandes igrejas do cristianismo ortodoxo. Ela tem raízes na tradição cristã que se desenvolveu no leste do antigo Império Romano, especialmente em Constantinopla. É uma igreja com seus próprios líderes: não está subordinada ao papa da Igreja Católica.
Apesar do nome, sua história não começou na Rússia de hoje. Ela está ligada à conversão ao cristianismo da antiga Rus de Kiev, um povo cujo centro político ficava em Kiev, hoje capital da Ucrânia. A princesa Olga se tornou cristã no século 10 e, algumas décadas depois, o príncipe Vladimir adotou o cristianismo de tradição bizantina e promoveu o batismo de seu povo, tradicionalmente situado no ano 988. Com o passar dos séculos, a igreja ligada a essa história se desenvolveu em diferentes regiões. A Igreja Ortodoxa Russa é uma delas.
Existe também uma tradição segundo a qual o apóstolo André pregou na região de Kiev. Ela faz parte da memória religiosa ortodoxa, mas não há base histórica suficiente pra tratar essa visita como um fato comprovado ou como a fundação direta da Igreja Ortodoxa Russa.
Na fé, essa igreja confessa a Trindade — Pai, Filho e Espírito Santo — e afirma que Jesus Cristo é Deus e homem. Reconhece a Bíblia como Escritura Sagrada. Por isso, um cristão evangélico encontrará ali crenças centrais que também afirma. Ao mesmo tempo, há diferenças importantes na maneira de entender a autoridade da igreja, o culto e a salvação.
Pra os ortodoxos, a fé cristã é transmitida não só pela Bíblia, mas também pela tradição recebida e preservada na vida da igreja. Seus cultos seguem uma forma estabelecida, com orações, cânticos, símbolos e ritos. Eles também usam ícones, que são imagens de Cristo, de Maria e de outros cristãos venerados. Os ortodoxos distinguem venerar uma imagem de adorar a Deus. Muitos evangélicos, porém, entendem que essa prática não deve fazer parte do culto cristão, à luz de textos como Êxodo 20:4-5.
Outra diferença está na forma de falar da salvação. A Igreja Ortodoxa Russa ensina que a salvação vem da graça de Deus, por meio de Cristo, e dá grande importância aos sacramentos e à vida na igreja. A tradição evangélica enfatiza que somos aceitos por Deus mediante a fé em Cristo, não por obras ou ritos religiosos, como ensinam Efésios 2:8-9 e Romanos 3:28. Seria injusto, porém, dizer simplesmente que os ortodoxos creem que uma pessoa pode conquistar a salvação por esforço próprio. A diferença envolve também o que cada tradição entende por fé, graça e participação nos sacramentos.
A Igreja Ortodoxa Russa possui bispos, sacerdotes e um patriarca, mas não um papa. Ela é chamada de autocéfala, ou seja, governa a si mesma dentro da comunhão ortodoxa. Suas decisões e suas relações com outras igrejas ortodoxas têm uma história complexa, que também foi marcada por conflitos políticos. Isso não significa que a fé de todos os seus membros possa ser reduzida à política.
Por fim, vale separar duas coisas: a Igreja Ortodoxa Russa, como instituição histórica, e a igreja de Cristo, formada por todos os que pertencem a ele. Segundo o Novo Testamento, Cristo é o cabeça da igreja, e os cristãos são membros de seu corpo (Efésios 5:23; 1 Coríntios 12:27). Nenhuma denominação, seja ortodoxa, católica ou evangélica, deve ser confundida automaticamente com a totalidade desse corpo.