Pastor Antônio Junior

Mensagens evangélicas, devocionais e perguntas e respostas do Pastor Antônio Junior.

O que é a Igreja Ortodoxa Grega?

Autor: Admin

Publicado: 2026-11-05

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A Igreja Ortodoxa Grega é uma das igrejas da tradição cristã conhecida como Ortodoxia Oriental. Ela crê em Jesus Cristo, em sua morte e ressurreição e na Trindade. Suas igrejas têm uma forma de culto antiga, com orações, cânticos, leitura da Bíblia e a celebração da comunhão, que chamam de Eucaristia.

O nome pode dar a impressão de que existe uma única igreja ortodoxa para todos os gregos. Não é bem assim. Há várias igrejas ortodoxas ligadas pela mesma fé e pela comunhão entre si, mas organizadas de forma própria em diferentes lugares. A Igreja da Grécia é uma delas; também existem comunidades de tradição grega em outros países. Elas não são governadas pelo papa.

A separação entre os cristãos do Oriente e os do Ocidente aconteceu aos poucos. Durante séculos, surgiram diferenças sobre a autoridade do papa, a maneira de expressar algumas doutrinas e os costumes das igrejas. O ano de 1054 é um marco conhecido dessa divisão, mas não foi o dia em que todas as diferenças começaram.

Pra entender o que distingue a Ortodoxia Grega, vale olhar para três pontos.

Primeiro, ela dá grande importância à tradição da igreja. Os ortodoxos entendem que a fé ensinada pelos apóstolos foi preservada não só nos textos bíblicos, mas também na vida de oração, nos ensinamentos e nas decisões da igreja ao longo dos séculos. Cristãos evangélicos, por sua vez, afirmam que a Bíblia é a autoridade final para avaliar qualquer tradição. Por isso, as duas tradições podem concordar sobre uma crença central, como a ressurreição de Jesus, e discordar sobre uma prática da igreja.

Segundo, há diferenças na adoração e na oração. Nas igrejas ortodoxas, é comum encontrar ícones — imagens de Cristo, de Maria e de outros cristãos do passado. Os ortodoxos dizem que venerar essas pessoas não é o mesmo que adorar a Deus: a adoração pertence somente a ele. Muitos evangélicos, porém, questionam o uso dessas imagens e as orações dirigidas aos santos. Uma razão importante é que o Novo Testamento apresenta Jesus como o único mediador entre Deus e as pessoas (1 Timóteo 2:5). É uma discordância real, mas seria injusto dizer que os ortodoxos ensinam a adorar Maria ou os santos.

Terceiro, as duas tradições explicam de maneiras diferentes como recebemos e vivemos a salvação. Os ortodoxos ensinam que a salvação vem de Cristo e que, pela ação do Espírito Santo, a pessoa é transformada ao longo da vida. Eles relacionam essa vida de fé ao batismo, à Eucaristia, à oração e à obediência. Quando falam em “deificação”, não querem dizer que alguém se torna Deus. Querem dizer que Deus transforma a pessoa para que ela participe da vida que ele oferece e se torne cada vez mais semelhante a Cristo.

Os evangélicos também creem que quem pertence a Cristo deve ser transformado. A diferença está, sobretudo, em como entendem a relação entre fé, obras e práticas da igreja. Efésios 2:8-10 ensina que a salvação é dom de Deus, recebido pela fé, e que as boas obras fazem parte da vida para a qual ele nos chamou. Por isso, evangélicos costumam insistir que nenhuma cerimônia ou obra pode conquistar a salvação.

Há outras diferenças, como o batismo de bebês, as orações pelos mortos e os livros incluídos no Antigo Testamento. Mas a aparência do culto, por si só, não resolve essas questões. Um culto com rituais pode ser feito com fé sincera; um culto simples também pode virar mera rotina. Jesus advertiu contra a confiança na própria religiosidade e mostrou a importância de se aproximar de Deus com humildade (Lucas 18:9-14).

Em resumo, a Igreja Ortodoxa Grega é uma expressão antiga da fé cristã, com crenças centrais compartilhadas por outros cristãos e com ensinamentos e práticas que os evangélicos questionam à luz da Bíblia. Conhecer essas diferenças ajuda a avaliá-las com cuidado, sem confundir discordância teológica com a ideia de que os ortodoxos não creem em Jesus.