Armstrongismo é o nome dado aos ensinamentos de Herbert W. Armstrong, fundador da Igreja Mundial de Deus. A pergunta sobre ser ou não uma seita precisa de uma distinção importante: a Igreja Mundial de Deus dos tempos de Armstrong não ensinava a fé cristã histórica em pontos centrais; a organização que veio depois mudou profundamente. Por isso, não seria correto falar das duas como se fossem a mesma coisa.
Armstrong ensinava, por exemplo, que os povos britânico e americano descendiam das chamadas “tribos perdidas” de Israel. Com base nessa ideia, interpretava muitas profecias bíblicas como referências a essas nações. O problema é que a Bíblia não identifica britânicos e americanos como herdeiros físicos das tribos de Israel. Em Romanos 11, Paulo trata da relação entre Israel e os demais povos sem fazer essa identificação.
Havia também diferenças mais profundas. Armstrong rejeitava a doutrina da Trindade, ensinada historicamente pelos cristãos ao falar do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Além disso, seu movimento exigia a observância do sábado, das festas religiosas e de outras práticas da lei dada a Israel. Guardar um dia ou celebrar uma festa não é, por si só, o problema. O problema aparece quando essas práticas são impostas como obrigação pra que alguém seja aceito por Deus. Paulo ensina que somos justificados pela fé em Cristo, não por cumprir as obras da lei (Gálatas 2:16; Efésios 2:8-9).
Armstrong também ensinava que, depois da morte, haveria uma ressurreição na qual muitas pessoas conheceriam o evangelho e teriam uma oportunidade de aceitá-lo. Essa ideia é discutida de formas diferentes entre grupos ligados à sua tradição, mas não deve ser apresentada como uma promessa clara da Bíblia. As Escrituras chamam as pessoas a responder a Deus nesta vida e falam da morte seguida pelo juízo (Hebreus 9:27). Já a questão de como será a punição final dos ímpios é debatida entre cristãos; não é necessário resolver esse debate pra avaliar os ensinamentos centrais do armstrongismo.
Depois da morte de Armstrong, em 1986, os dirigentes da Igreja Mundial de Deus abandonaram várias de suas doutrinas, incluindo a identificação de britânicos e americanos com Israel, e passaram a afirmar a Trindade e a salvação pela graça mediante a fé. A organização adotou o nome Comunhão da Graça Internacional (*Grace Communion International*). Algumas congregações, porém, não acompanharam essas mudanças e formaram grupos separados que conservaram ensinamentos de Armstrong.
Então, se a pergunta é sobre o movimento original de Armstrong, há razões sérias pra considerá-lo fora da fé cristã histórica, especialmente por sua rejeição da Trindade e por seus ensinos sobre a lei e a salvação. Se a pergunta é sobre a organização que sucedeu a antiga Igreja Mundial de Deus, a resposta precisa reconhecer sua mudança doutrinária: não é justo classificá-la hoje apenas pelo que Armstrong ensinava. E, ao avaliar qualquer grupo que manteve seu legado, o mais importante é verificar o que ele ensina agora sobre quem é Jesus, quem é Deus e como uma pessoa é salva.