Pode seguir, sim. A Bíblia não exige que toda igreja local tenha pessoas de várias etnias. Mas também não permite que uma igreja trate alguém como menos digno de pertencer a Cristo por causa de sua origem. A diferença está entre reunir pessoas que compartilham uma língua ou cultura e usar essa identidade pra manter outras pessoas de fora.
Pense numa comunidade em que quase todos falam o mesmo idioma e têm a mesma origem. É natural que a igreja dali reflita a população local. Mesmo numa cidade diversa, uma igreja pode se reunir em espanhol, mandarim ou outra língua pra que as pessoas entendam o ensino bíblico, orem juntas e cuidem umas das outras. Isso, por si só, não contraria a Bíblia. Em Atos 2:5-11, pessoas de várias regiões ouviram a mensagem de Deus em suas próprias línguas. O importante era que elas pudessem compreender a mensagem.
O problema aparece quando a origem das pessoas vira uma condição pra que sejam aceitas. Uma igreja que diz, na prática, “gente de outra etnia não é bem-vinda aqui” está contrariando o evangelho. Paulo ensinou que judeus e não judeus têm acesso ao mesmo Pai por meio de Cristo e fazem parte da mesma família de Deus (Efésios 2:11-22). Também disse que não há distinção entre judeu e grego quanto à possibilidade de invocar o Senhor (Romanos 10:12). Ninguém precisa pertencer a determinado povo pra ser recebido por Cristo.
Isso não quer dizer que uma igreja precise abandonar sua língua ou mudar toda a forma de seus cultos sempre que alguém de outra origem aparecer. Uma pessoa pode precisar de tradução pra acompanhar uma reunião em outro idioma. A questão é como ela será tratada: com disposição de acolher e ajudar, ou com preconceito e rejeição?
Por isso, não é a composição étnica da igreja, sozinha, que responde à pergunta. Uma igreja formada principalmente por pessoas do mesmo grupo pode servir bem àquela comunidade e, ao mesmo tempo, receber com amor quem vier de fora. Já uma igreja que exclui pessoas por causa de sua raça ou origem deixa de agir de acordo com a união que Cristo criou. E essa união pode ser vivida tanto numa congregação com muitas culturas quanto numa congregação em que quase todos compartilham a mesma.