Jesus disse à igreja de Pérgamo duas coisas que precisavam ser ouvidas juntas: vocês permaneceram fiéis a mim mesmo diante da perseguição, mas precisam parar de aceitar ensinamentos que levam ao pecado. Essa é a mensagem de Apocalipse 2:12-17.
Pérgamo era uma cidade onde a adoração a outros deuses fazia parte da vida pública. Jesus reconheceu que seus seguidores viviam num ambiente difícil. Ele elogiou a igreja porque ela continuava a afirmar sua fé nele, mesmo depois que Antipas, chamado por Jesus de testemunha fiel, foi morto ali. O texto não conta como Antipas morreu. O importante na mensagem é que aquela igreja não havia abandonado Jesus nem mesmo diante de uma morte tão próxima.
Quando Jesus se refere a Pérgamo como o lugar do “trono de Satanás”, ele deixa claro que a oposição à fé naquela cidade era séria. A passagem, porém, não identifica um prédio ou altar específico como esse trono. Por isso, não precisamos escolher um monumento da cidade pra entender o que Jesus quis dizer: ele sabia como era difícil viver ali e não ignorava a fidelidade daqueles cristãos.
Mas resistir à perseguição não era suficiente se a igreja aceitasse o pecado dentro dela. Jesus disse que havia pessoas seguindo o ensino de Balaão. Ele estava lembrando um episódio antigo em que israelitas foram levados a participar da adoração a outros deuses e a cometer imoralidade sexual (Números 25:1-3; 31:15-16). Em Pérgamo, havia gente ensinando práticas semelhantes: participar de refeições ligadas à idolatria e viver em imoralidade sexual (Apocalipse 2:14). Jesus também mencionou os nicolaítas, mas não explicou em detalhe o que ensinavam. Não dá pra afirmar com certeza mais do que o texto diz sobre esse grupo.
O problema não era simplesmente a origem de um alimento. Em outras passagens, Paulo explica que um cristão não precisa investigar a história de tudo o que come. A questão em Pérgamo era participar de práticas ligadas à adoração de ídolos, como se fosse possível seguir Jesus e, ao mesmo tempo, tomar parte nesse culto (1 Coríntios 10:14-22, 25-28).
Por isso, Jesus chamou a igreja ao arrependimento. Se ela não mudasse, ele viria e enfrentaria os que ensinavam o erro. A espada que aparece no começo e no fim da mensagem representa a autoridade de Jesus pra julgar. Ele não estava pedindo que a igreja atacasse essas pessoas; estava avisando que não deixaria aquele ensino sem resposta (Apocalipse 2:12, 16).
A mensagem termina com uma promessa a quem permanecer fiel: Jesus lhe dará o “maná escondido”, uma “pedrinha branca” e um novo nome (Apocalipse 2:17). O maná lembra o alimento que Deus deu a Israel no deserto e aponta para o cuidado de Deus. O significado exato da pedra branca e do novo nome não é explicado, e há diferentes interpretações sobre eles. O sentido da promessa, porém, é claro: quem continua com Jesus não fica esquecido por ele.
Assim, a mensagem de Pérgamo não é apenas “aguentem a perseguição”. É também “não aceitem aquilo que afasta vocês de mim”. Jesus viu a coragem daquela igreja, mas também a chamou a corrigir o que estava errado entre seus membros. fidelidade a ele precisava aparecer tanto na hora de enfrentar a oposição quanto nas escolhas da vida diária.