A Igreja do Jesus Verdadeiro é uma denominação cristã que surgiu na China, em 1917. Ela ensina que Deus restaurou, naquele período, a igreja dos tempos dos apóstolos. Por isso, seu nome expressa uma afirmação importante: ela não se vê apenas como mais uma igreja, mas como a igreja que preserva a fé e as práticas necessárias pra salvação.
Entre seus primeiros líderes estava Paul Wei, que relatou ter recebido uma revelação de Jesus e um batismo realizado de um modo específico. A igreja se expandiu pra outros países e dá grande importância à atuação do Espírito Santo, ao falar em línguas e aos milagres. Ela também pratica o batismo em água natural, com o corpo inclinado pra frente e o rosto voltado pra baixo; observa o sábado; lava os pés dos fiéis; e celebra a Ceia do Senhor. Em seus ensinamentos, essas práticas não são apenas costumes: algumas delas estão diretamente ligadas à maneira como a pessoa recebe ou mantém a salvação.
A principal dúvida, então, não é se essas práticas aparecem na Bíblia. Várias aparecem. A questão é se a Bíblia exige que sejam praticadas exatamente dessa maneira pra alguém ser salvo ou pertencer à verdadeira igreja.
Jesus mandou seus seguidores fazer discípulos e batizá-los (Mateus 28:19). Portanto, o batismo é importante e não deve ser desprezado. Mas o Novo Testamento não ensina que ele só é válido quando realizado num rio, com o rosto voltado pra baixo. Também ensina que somos salvos pela graça de Deus, mediante a fé em Cristo, e não por acertarmos todos os detalhes de uma cerimônia (Efésios 2:8-9). O batismo é uma resposta de fé a Jesus; não é a razão pela qual Deus aceita uma pessoa.
O mesmo cuidado vale pro falar em línguas. O livro de Atos registra pessoas falando em línguas quando receberam o Espírito Santo. Isso mostra que o dom é bíblico. Mas Paulo ensina que o Espírito distribui dons diferentes aos cristãos e pergunta se todos falam em línguas — a resposta esperada é não (1 Coríntios 12:11, 29-30). Por isso, não há base pra exigir esse dom como prova obrigatória de que alguém recebeu o Espírito ou será salvo.
No caso do lava-pés, Jesus realmente lavou os pés dos discípulos e lhes disse que seguissem seu exemplo (João 13:12-15). Algumas igrejas entendem isso como motivo pra manter a prática literalmente. Outras destacam principalmente a lição de humildade e serviço. A conversa de Jesus com Pedro também dá ao gesto um significado ligado à necessidade de ser purificado por ele (João 13:6-10). O que a passagem não estabelece claramente é que participar de uma cerimônia de lava-pés seja uma condição pra ter parte com Cristo.
A Ceia do Senhor também foi instituída por Jesus e deve ser levada a sério. Ao participar dela, os cristãos anunciam sua morte e lembram o que ele fez por nós (1 Coríntios 11:23-26). Ainda assim, a vida eterna vem de Cristo, não do ato de comer o pão e beber o cálice. Quanto ao sábado, descansar e dedicar tempo a Deus são coisas boas. Mas o Novo Testamento não manda que todos os cristãos guardem o sábado como requisito de salvação ou como sinal que identifica a única igreja verdadeira (Colossenses 2:16-17; Romanos 14:5-6).
Isso não significa negar que Deus possa realizar milagres, nem tratar com desprezo pessoas dessa igreja. Significa examinar suas afirmações pela Bíblia. Jesus e os apóstolos chamam as pessoas a confiar em Cristo; não ensinam que a salvação depende de pertencer a uma denominação fundada no século vinte, receber o batismo numa posição específica ou manifestar um mesmo dom espiritual.
Assim, a Igreja do Jesus Verdadeiro reúne crenças e práticas que têm relação com textos bíblicos, mas sua afirmação de ser a única igreja verdadeira — e de que determinadas práticas são necessárias pra salvação — vai além do que esses textos permitem concluir. O ponto decisivo pra avaliar qualquer igreja é este: ela leva as pessoas a confiar em Jesus Cristo e no que ele fez, ou acrescenta exigências que a Bíblia não apresenta como condições pra serem salvas?