A Igreja de Deus Unida é uma denominação fundada em 1995 por pessoas que saíram da Igreja Mundial de Deus. Na época, a Igreja Mundial de Deus estava mudando vários ensinamentos que havia recebido de seu antigo líder, Herbert W. Armstrong. A Igreja de Deus Unida manteve parte importante desses ensinamentos, embora não seja idêntica ao movimento original.
Uma diferença fácil de perceber está nas práticas. A Igreja de Deus Unida guarda o sábado como dia de descanso e culto, celebra festas bíblicas dadas a Israel, segue regras alimentares do Antigo Testamento e não comemora o Natal. Para entendê-la, porém, não basta olhar essas práticas. As diferenças mais importantes dizem respeito a quem Deus é e como a pessoa é salva.
A Igreja de Deus Unida não aceita a doutrina da Trindade. Ela ensina que o Pai e o Filho são seres divinos, mas não reconhece o Espírito Santo como uma pessoa divina; entende-o como o poder de Deus. A fé cristã trinitária, por sua vez, reconhece um só Deus e entende que o Pai, o Filho e o Espírito Santo são distintos e plenamente divinos. Entre os textos que sustentam essa compreensão estão Mateus 28:19, João 1:1-3 e Atos 5:3-4. A Bíblia também fala do Espírito Santo ensinando, guiando e intercedendo, o que não combina facilmente com a ideia de que ele seja apenas uma força impessoal (João 14:26; Romanos 8:26-27).
Outra diferença está no futuro prometido aos salvos. A Igreja de Deus Unida ensina que os filhos de Deus passarão a fazer parte da família divina. A Bíblia realmente promete que os cristãos serão filhos de Deus, ressuscitarão e participarão do reinado de Cristo (Romanos 8:16-17; Apocalipse 22:5). Mas, na compreensão cristã histórica, receber essas bênçãos não significa tornar-se Deus no mesmo sentido em que o Pai, o Filho e o Espírito Santo são Deus.
Quanto à salvação, é importante ser justo: não é preciso dizer que a Igreja de Deus Unida ensina que alguém pode comprar a salvação com boas obras. Ela fala da graça de Deus e da fé em Cristo. Ainda assim, dá ao batismo e à obediência aos mandamentos — incluindo a guarda do sábado — um lugar que muitos cristãos evangélicos consideram problemático. O Novo Testamento ensina que somos salvos pela graça, por meio da fé em Cristo, e que as boas obras são resultado dessa salvação, não o meio de conquistá-la (Efésios 2:8-10). Paulo também adverte contra tratar a observância de dias como medida da posição de alguém diante de Deus (Colossenses 2:16-17; Gálatas 4:9-11).
Isso não quer dizer que guardar o sábado ou deixar de celebrar o Natal, por si só, defina se alguém é cristão. A questão é o significado dado a essas práticas e, sobretudo, os ensinamentos sobre Deus, Cristo e a salvação.
Em resumo, a Igreja de Deus Unida é um grupo cristão de origem armstrongista, com práticas e crenças próprias. Quem deseja avaliá-la à luz da Bíblia deve prestar atenção principalmente à sua rejeição da Trindade, ao que ensina sobre o futuro dos salvos e ao papel que atribui à obediência na vida cristã. Essas são diferenças sérias em relação à fé cristã evangélica histórica.