O nome “Igreja de Deus” pode se referir a grupos bem diferentes. Aqui estamos falando da Igreja de Deus com sede em Cleveland, no estado do Tennessee, nos Estados Unidos. Ela é uma denominação cristã pentecostal: crê que o Espírito Santo continua atuando na igreja e dá bastante importância a experiências espirituais, como o falar em línguas e a cura divina.
Esse grupo surgiu em 1886, no Tennessee, a partir de uma reunião organizada por Richard Spurling e outros cristãos que desejavam viver de acordo com o ensino do Novo Testamento. Com o tempo, o movimento cresceu, adotou o nome Igreja de Deus e passou a fazer parte do movimento pentecostal.
No centro da sua fé estão ensinamentos cristãos fundamentais. A Igreja de Deus crê na Trindade — Pai, Filho e Espírito Santo —, na autoridade da Bíblia, na morte e na ressurreição de Jesus e na necessidade de cada pessoa se arrepender e crer nele para ser salva. São crenças apoiadas em passagens como Mateus 28:19, 1 Coríntios 15:3-4 e Efésios 2:8-9. Portanto, suas diferenças em relação a outras igrejas evangélicas não estão principalmente na pergunta “Quem é Jesus?”, mas em como ela entende a santificação e a atuação do Espírito Santo.
A santificação é a mudança na maneira de viver de quem segue a Cristo. A Igreja de Deus ensina que Deus não apenas perdoa o cristão, mas também o chama a abandonar o pecado e a viver de modo santo. Por isso, dá grande importância à conduta moral e ensina que os cristãos devem se afastar de práticas que considera prejudiciais à vida espiritual. Além do batismo nas águas e da Ceia do Senhor, pratica o lava-pés, seguindo o exemplo de Jesus em João 13:1-17.
A ênfase na santidade tem fundamento bíblico: Deus chama seu povo a obedecê-lo e a crescer no amor (1 Pedro 1:15-16; 1 Tessalonicenses 4:3). A questão discutida entre cristãos é como essa mudança acontece. A Igreja de Deus, por sua tradição de santidade, ensina uma experiência de santificação distinta da conversão. Outros evangélicos entendem que a santificação começa quando a pessoa passa a crer em Cristo e continua ao longo de toda a vida. Em qualquer uma dessas explicações, é importante não prometer uma vida sem nenhuma falha: 1 João 1:8-9 lembra que os cristãos ainda precisam reconhecer seus pecados e buscar o perdão de Deus.
Outra diferença importante está no batismo no Espírito Santo. A Igreja de Deus ensina que essa é uma experiência posterior à salvação e que o falar em línguas é sua evidência inicial. Ela se apoia em relatos de Atos nos quais pessoas receberam o Espírito e falaram em línguas, como Atos 2:1-4 e 10:44-46.
Outros cristãos leem esses relatos de outra maneira. Eles observam que 1 Coríntios 12:13 relaciona a ação do Espírito à entrada de todos os cristãos no corpo de Cristo, e que, no mesmo capítulo, Paulo não trata o falar em línguas como um dom recebido por todos (1 Coríntios 12:29-30). Assim, os relatos de Atos mostram que algumas pessoas falaram em línguas, mas não dizem expressamente que todo cristão precisa passar pela mesma experiência.
A Igreja de Deus também crê que Deus continua dando dons espirituais e pode curar doenças. Cristãos de diferentes tradições concordam que podemos orar pelos enfermos e que Deus tem poder pra curar (Tiago 5:14-16). A diferença aparece quando a cura é ensinada de um modo que parece garantir saúde a todo cristão nesta vida. O Novo Testamento conta que servos fiéis de Deus também enfrentaram doenças: Epafrodito ficou gravemente enfermo, e Timóteo tinha problemas frequentes de saúde (Filipenses 2:25-27; 1 Timóteo 5:23). Por isso, não é correto concluir que alguém continua doente por falta de fé.
Em resumo, a Igreja de Deus de Cleveland é uma denominação pentecostal que afirma crenças centrais da fé cristã e enfatiza a vida santa e a atuação do Espírito. Pra entender suas diferenças em relação a outras igrejas evangélicas, os pontos principais são estes: ela ensina uma experiência de santificação distinta da conversão e considera o falar em línguas a evidência inicial do batismo no Espírito Santo. São assuntos que merecem ser examinados à luz de toda a Bíblia, distinguindo aquilo que ela afirma claramente daquilo que cristãos fiéis interpretam de maneiras diferentes.