O ignóstico é alguém que pergunta: “O que você quer dizer com ‘Deus’?” antes de discutir se Deus existe. O ignosticismo é a ideia de que essa pergunta precisa ser respondida primeiro. Se a palavra “Deus” for usada sem um significado claro, o ignóstico considera que ainda não há uma afirmação que possa ser aceita ou contestada.
Isso é diferente de dizer “Deus não existe”, como faz o ateu, ou “não sei se Deus existe”, como diz o agnóstico. O ignóstico começa um passo antes: quer saber *de qual Deus estamos falando*. Uma pessoa pode até se identificar como ignóstica e ateia, ou ignóstica e agnóstica; os termos respondem a perguntas diferentes.
Há uma preocupação válida aí. Pessoas usam a palavra “Deus” com sentidos bem diferentes. Às vezes querem dizer um ser pessoal que criou o mundo; outras vezes, uma força impessoal ou apenas um nome pra natureza. Pedir uma definição evita que duas pessoas discutam durante horas pensando que falam da mesma coisa.
Mas existe uma versão mais forte do ignosticismo: a de que falar de Deus não tem sentido porque ninguém consegue defini-lo com precisão suficiente. Essa conclusão não decorre simplesmente do fato de Deus ser difícil de compreender. Não entender tudo sobre alguém não significa não saber nada sobre essa pessoa.
Na Bíblia, “Deus” não é uma palavra sem conteúdo. Ela fala de quem criou todas as coisas, não depende do mundo que criou, fala, age e se dá a conhecer às pessoas (Gênesis 1:1; Atos 17:24-28). E apresenta Jesus como aquele que nos mostra quem Deus é (João 1:18; Hebreus 1:1-3). Isso não responde automaticamente a toda objeção contra a fé cristã. Mas dá um significado claro o bastante pra que suas afirmações possam ser entendidas e discutidas.
Então, a resposta mais justa é esta: o ignóstico tem razão em pedir clareza sobre o que significa “Deus”; isso ajuda a conversa. O que não se segue é que toda conversa sobre Deus seja inútil só porque não conseguimos explicar completamente sua natureza. A questão passa a ser se aquilo que a Bíblia afirma sobre Deus é verdadeiro — e não se a palavra “Deus” pode significar alguma coisa.