Não saber pode diminuir a responsabilidade de uma pessoa, mas não torna certo aquilo que ela fez de errado. A Bíblia leva em conta a diferença entre desobedecer de propósito e cometer um erro sem saber. Ao mesmo tempo, ela mostra que ambos precisam ser tratados diante de Deus.
Isso aparece na lei dada a Israel. Havia sacrifícios para pecados cometidos sem intenção, e Levítico 5:17 diz que uma pessoa podia ser culpada mesmo sem saber que tinha desobedecido a um mandamento. Ou seja, a falta de conhecimento não apagava o erro. A pessoa precisava reconhecer o que tinha feito e buscar o perdão de Deus.
Mas seria justo tratar do mesmo jeito quem nunca soube de uma ordem e quem a conhecia e decidiu desobedecer? Jesus mostrou que não. Em Lucas 12:47-48, ele fala de dois servos que fizeram o que era errado: um conhecia a vontade do seu senhor; o outro não. Os dois foram responsabilizados, mas aquele que sabia recebeu uma punição maior. Deus considera o que cada pessoa sabia e as oportunidades que teve de aprender.
Também precisamos ser honestos com nós mesmos. Às vezes, a pessoa realmente não sabia. Outras vezes, não quis saber, porque aprender exigiria mudar de atitude. Não cabe a nós decidir o que se passava no coração de alguém, mas Deus conhece essa diferença. Romanos 1:18-21 mostra que há pessoas que rejeitam a verdade que já lhes foi mostrada.
Por isso, quando descobrimos que fizemos algo errado, o melhor caminho não é insistir: “Eu não sabia, então não tem problema.” Podemos admitir o erro, pedir perdão a Deus e mudar. A boa notícia é que não precisamos fingir que nunca erramos para nos aproximar dele: por meio de Jesus, Deus oferece perdão a quem se volta para ele (1 João 1:9; 2:1-2).
Então, a resposta é esta: a ignorância não é uma desculpa que elimina o pecado, mas faz diferença na maneira como Deus julga cada pessoa. Ele é justo ao considerar o que sabíamos e misericordioso ao nos dar a oportunidade de aprender, nos arrepender e viver de outro modo.