A Bíblia foi escrita principalmente em hebraico e grego, mas também tem algumas partes em aramaico. Isso não quer dizer que cada autor escolheu um idioma diferente por acaso. Os livros bíblicos foram escritos em épocas e lugares diferentes, por pessoas que viviam em contextos diferentes.
O Antigo Testamento foi escrito quase todo em hebraico, o idioma do povo de Israel. Há, porém, trechos em aramaico, especialmente nos livros de Esdras e Daniel, além de um versículo em Jeremias (Jeremias 10:11). Esdras inclui documentos ligados ao governo persa; Daniel relata acontecimentos vividos entre povos que usavam o aramaico. Por isso, não surpreende encontrar esse idioma nesses livros.
O Novo Testamento foi escrito em grego, na forma conhecida como *grego koiné*. Era o grego de uso comum em grande parte do mundo daquela época. Escrever nesse idioma permitia que os relatos sobre Jesus e as cartas dos apóstolos fossem lidos por pessoas de vários povos, não apenas pelos judeus.
E que idioma Jesus falava? O aramaico fazia parte da vida cotidiana na região onde ele viveu. Os Evangelhos até preservam algumas palavras suas nesse idioma, como em Marcos 5:41 e 7:34. Mas foram escritos em grego. Assim, ao lermos uma fala de Jesus nos Evangelhos, geralmente lemos o que ele disse transmitido em grego pelos autores bíblicos, e não necessariamente as mesmas palavras aramaicas que ele pronunciou.
Você também pode encontrar menção à Septuaginta. Ela é uma antiga tradução grega das Escrituras hebraicas, usada no tempo do Novo Testamento. Isso não muda a resposta sobre os idiomas originais do Antigo Testamento: ele foi escrito principalmente em hebraico, com alguns trechos em aramaico.
Em resumo: hebraico no Antigo Testamento, com partes em aramaico; grego no Novo Testamento. As Bíblias que lemos hoje em português são traduções desses textos antigos. Não é preciso conhecer os idiomas originais pra ler e entender a mensagem bíblica, embora estudá-los possa ajudar a perceber detalhes do texto.