Iconoclastia é a rejeição de imagens religiosas, especialmente quando isso leva à retirada ou destruição dessas imagens. Quem defende ou pratica isso é chamado de *iconoclasta*. A palavra vem da ideia de “quebrar ícones”, mas nem todo iconoclasta sai destruindo imagens: alguns apenas entendem que elas não devem ser usadas no culto.
A dúvida por trás do assunto é importante: a Bíblia proíbe toda imagem religiosa ou proíbe adorar imagens? Em Êxodo 20:4-5, Deus proíbe seu povo de fazer imagens para se curvar diante delas e lhes prestar culto. Ao mesmo tempo, a própria Bíblia relata que Deus mandou fazer figuras de querubins para o tabernáculo (Êxodo 25:18-20). Por isso, não dá pra concluir que produzir qualquer imagem seja, por si só, idolatria. O problema fica claro quando uma imagem recebe a confiança e a devoção que pertencem a Deus.
Um episódio mostra bem essa diferença. Deus mandou Moisés fazer uma serpente de bronze numa ocasião específica (Números 21:8-9). Séculos depois, os israelitas passaram a queimar incenso pra ela. Então o rei Ezequias a destruiu (2 Reis 18:4). Aquele objeto não era errado por ter sido feito; tornou-se um problema pelo modo como passou a ser tratado.
Entre cristãos, existe uma diferença de entendimento sobre o uso de imagens na igreja. Alguns consideram que elas podem ajudar a lembrar de Jesus e de pessoas da história da fé, desde que não sejam adoradas. Outros entendem que seu uso no culto oferece um risco sério de idolatria e preferem não tê-las. Essa divergência apareceu com força no Império Bizantino, especialmente a partir do século VIII: autoridades ordenaram a retirada de ícones, enquanto outros cristãos defenderam seu uso. A disputa durou mais de um século. Séculos depois, durante a Reforma Protestante, algumas comunidades também removeram imagens de suas igrejas.
Assim, iconoclastia é o nome dado à oposição às imagens religiosas e, em certos casos, à sua destruição. Já a pergunta bíblica decisiva não é apenas se uma imagem existe, mas o que as pessoas fazem com ela: se lhe dão a adoração, a confiança ou o lugar que pertencem somente a Deus.