Podemos — e devemos — procurar honrar a Deus em tudo o que fazemos. Mas, se a pergunta é se um cristão pode chegar a um ponto em que nunca mais peca, a resposta mais segura é não devemos esperar isso nesta vida. Crescer na fé é real; tornar-se incapaz de pecar é outra coisa.
Deus nos chama a uma vida santa, e não nos deixa sozinhos nessa tarefa (1 Pedro 1:15-16; 2 Pedro 1:3-8). Com a ajuda dele, podemos abandonar práticas que sabemos ser erradas. Ninguém precisa tratar a mentira, a imoralidade ou a falta de domínio próprio como algo inevitável. Quando um cristão vence um pecado com o qual lutava, isso é uma mudança verdadeira, pela qual pode agradecer a Deus.
Só que honrar a Deus envolve mais do que evitar erros visíveis. Envolve também aquilo que desejamos, pensamos e queremos ao agir. Podemos fazer a coisa certa por orgulho, falar sem amor ou demorar a perceber que magoamos alguém. Por isso, vencer pecados conhecidos não significa que já não temos pecado algum. João alerta os cristãos contra essa ideia e os orienta a confessar seus pecados, confiando no perdão de Deus (1 João 1:8-9).
Há uma passagem que pode causar dúvida. Em 2 Pedro 1:10, Pedro diz que aqueles que praticarem as qualidades mencionadas antes não tropeçarão. No contexto, ele está incentivando os cristãos a firmarem sua vocação e eleição; não está prometendo que alcançarão uma vida sem nenhum pecado. O próprio ensino bíblico nos chama tanto a crescer em santidade quanto a reconhecer nossas faltas.
Então, como viver? Procurando agradar a Deus nas escolhas de cada dia, pedindo ajuda pra mudar o que sabemos estar errado e permanecendo dispostos a enxergar o que ainda precisa mudar. Quando pecamos, não precisamos fingir que nada aconteceu nem concluir que já não há esperança: podemos confessar o pecado, receber o perdão de Deus e continuar seguindo a Cristo.
Nossa aceitação diante de Deus não depende de conseguirmos apresentar uma vida perfeita. Ela depende de Jesus (2 Coríntios 5:21). É por isso que podemos buscar uma vida que honre a Deus com seriedade, mas sem o medo de que cada falha nos deixe sem saída.