Pastor Antônio Junior

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As passagens bíblicas sobre relações entre pessoas do mesmo sexo falam, na verdade, de pedofilia?

Autor: Admin

Publicado: 2026-11-05

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Não. A Bíblia condena o abuso de crianças, mas não é disso que tratam as passagens geralmente citadas nessa discussão. Em Levítico e Romanos, o assunto é mais amplo: relações sexuais entre pessoas do mesmo sexo. Isso não significa que todas essas relações sejam iguais ao abuso de uma criança. São questões diferentes, e é importante não confundi-las.

A dúvida costuma começar com uma palavra de Levítico 18:22. Algumas pessoas afirmam que, onde as traduções dizem “homem”, o hebraico deveria dizer “menino”. Só que a palavra usada ali, *zakar*, significa “macho”. Ela pode incluir alguém jovem, mas não significa especificamente “menino”. O texto não dá motivo pra limitar a proibição a um adulto se relacionando com uma criança. Levítico 20:13 repete a mesma proibição: usa uma palavra comum para “homem” e, depois, *zakar* para a outra pessoa do sexo masculino.

Às vezes se argumenta que Levítico 20:13 considera os dois participantes responsáveis e, portanto, só poderia estar falando de dois adultos. Esse argumento vai além do que o versículo permite afirmar. O ponto mais seguro é outro: o texto não identifica a segunda pessoa como criança nem descreve uma situação de abuso infantil. Por isso, traduzir a passagem como se ela tratasse especificamente de pedofilia muda seu sentido.

O Novo Testamento também ajuda a esclarecer a questão. Em Romanos 1:26-27, Paulo fala de relações entre pessoas do mesmo sexo, mencionando mulheres e homens. A passagem não apresenta a idade dos envolvidos nem descreve um adulto explorando uma criança. Em 1 Coríntios 6:9-11, Paulo inclui práticas sexuais entre homens entre os pecados dos quais algumas pessoas haviam deixado de participar. Há discussão sobre a tradução exata de alguns termos dessa passagem, mas ela não fornece base pra dizer que o assunto é *somente* pedofilia.

Então, a resposta à pergunta é: não é correto dizer que as condenações bíblicas dessas relações se referem, na verdade, apenas à pedofilia. Ao mesmo tempo, a Bíblia não autoriza ninguém a tratar pessoas homossexuais como se fossem abusadoras de crianças. Uma coisa não implica a outra. Também é importante notar que essas passagens tratam de práticas sexuais; não se deve usar sua linguagem sem cuidado pra falar de toda pessoa que sente atração por alguém do mesmo sexo.

Por fim, a lei de Israel previa penas que não são instruções pra cristãos aplicarem hoje. O chamado do Novo Testamento é pra que todos levem o pecado a sério e encontrem perdão e uma vida transformada em Jesus Cristo. É nessa direção que Paulo segue logo depois da lista de 1 Coríntios 6: ele lembra que a graça de Deus alcançou pessoas com histórias diferentes. A verdade bíblica precisa ser dita com clareza, mas também com o respeito e a misericórdia que o próprio evangelho ensina.