Porque, em alguns casos, cristãos realmente tratam pessoas homossexuais com desprezo, fazem comentários humilhantes ou as excluem. Isso é errado. Em outros casos, a acusação aparece porque um cristão afirma que, segundo sua leitura da Bíblia, a relação sexual foi reservada por Deus ao casamento entre homem e mulher. Essas duas situações não são a mesma coisa. Pra responder com justiça, precisamos levar ambas a sério.
A palavra homofobia costuma ser usada pra falar de hostilidade, preconceito ou discriminação contra pessoas homossexuais. Não é preciso agredir alguém fisicamente pra tratá-lo mal: piadas cruéis, insultos e a ideia de que essa pessoa merece menos respeito também ferem. Um cristão não deve se justificar dizendo que “só está defendendo a Bíblia” quando age desse jeito.
Jesus ensinou seus seguidores a amar o próximo, e não abriu uma exceção pra quem vive ou pensa de maneira diferente (Marcos 12:31). Ele também condenou a atitude de quem aponta o pecado dos outros sem examinar a própria vida (Mateus 7:3-5). Por isso, uma pessoa homossexual deve ser tratada com dignidade, ouvida com respeito e nunca ameaçada ou humilhada.
Ao mesmo tempo, existe uma questão bíblica real por trás dessa conversa. A interpretação cristã tradicional entende que a Bíblia reserva a relação sexual ao casamento entre homem e mulher. Entre as passagens usadas pra defender essa posição estão Gênesis 2:24, Mateus 19:4-6, Romanos 1:26-27 e 1 Coríntios 6:9-11. Nessa leitura, as relações sexuais entre pessoas do mesmo sexo não correspondem ao propósito de Deus. Isso, porém, não autoriza ninguém a tratar pessoas homossexuais como se fossem menos dignas ou mais pecadoras que as demais. A Bíblia diz que todos pecaram e precisam da graça de Deus (Romanos 3:23).
Há também cristãos que interpretam de outro modo as passagens sobre relações entre pessoas do mesmo sexo e entendem que elas não tratam de toda relação amorosa e comprometida que conhecemos hoje. Essa é uma divergência real entre pessoas que dizem reconhecer a autoridade da Bíblia. Não seria honesto fingir que todos os cristãos concordam sobre o assunto.
Então, a resposta mais direta é: nem todo cristão é homofóbico, mas alguns agem de maneira homofóbica, e isso não deve ser desculpado. Discordar de uma conduta por convicção religiosa não é, por si só, o mesmo que odiar uma pessoa. Mas a forma de expressar essa convicção importa — e muito. Se ela vem acompanhada de desprezo, medo, humilhação ou discriminação, há um problema que o cristão precisa reconhecer e corrigir.
E ninguém deve presumir que uma pessoa homossexual rejeitou Jesus apenas por ser homossexual. Quem ela é, no que crê e como vive sua fé não pode ser reduzido a um rótulo. Para um cristão, falar a verdade e amar o próximo não são tarefas opostas: as duas precisam aparecer na maneira como ele trata as pessoas.