Porque Isaías descreve alguém que seria rejeitado, sofreria profundamente e daria a própria vida por causa dos pecados de outros. Os cristãos entendem que essa descrição se cumpre em Jesus. O título não quer dizer que ele vivia triste o tempo todo. Quer dizer que o sofrimento fez parte da sua vida e, principalmente, daquilo que ele veio fazer por nós.
Em Isaías 53, o sofrimento desse servo de Deus não aparece isolado. O texto diz que ele seria desprezado, tratado como alguém sem importância, ferido e levado à morte, apesar de não ter cometido injustiça (Isaías 53:3-9). Isso ajuda a entender por que ele é chamado de “homem de dores”: ele conheceu a dor de ser rejeitado e a dor de sofrer sem ter feito o mal que lhe atribuíram.
Os relatos da vida de Jesus mostram isso de maneira concreta. Ele foi rejeitado por muitos, chorou diante da morte de Lázaro e, antes de ser preso, viveu uma angústia intensa (João 11:35; Mateus 26:37-39). Depois vieram as ofensas, a violência e a crucificação. Jesus não passou pelo sofrimento sem sentir seu peso.
Mas Isaías vai além de dizer que o servo sofreria. Ele explica por que sofreria: levaria sobre si os pecados de outros, para que eles pudessem receber a paz de Deus (Isaías 53:4-6, 10-12). É por isso que a morte de Jesus é tão importante para a fé cristã. Ele não foi apenas uma pessoa inocente que sofreu uma injustiça; ele entregou a vida para salvar pecadores. O Novo Testamento relaciona diretamente esse trecho de Isaías a Jesus (Atos 8:32-35; 1 Pedro 2:22-25).
Chamá-lo de “homem de dores” também não apaga a alegria que havia em sua vida. Jesus se alegrou (Lucas 10:21), e Hebreus 12:2 diz que ele suportou a cruz tendo em vista a alegria que viria depois. Ele sabia o quanto sofreria, mas também sabia o que sua entrega tornaria possível.
Assim, esse nome reúne duas verdades: Jesus sofreu de verdade, e seu sofrimento não foi em vão. Segundo Isaías, foi por meio da entrega daquele que sofreu que muitos seriam alcançados pela graça de Deus.