Pastor Antônio Junior

Mensagens evangélicas, devocionais e perguntas e respostas do Pastor Antônio Junior.

Como começou o cristianismo e como ele chegou até nós?

Autor: Admin

Publicado: 2026-11-05

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O cristianismo começou com Jesus de Nazaré. Seus seguidores criam que ele era o Messias prometido nas Escrituras de Israel, que morreu pelos pecados e ressuscitou. Essa era a mensagem que eles passaram a anunciar: Deus oferece perdão e uma nova vida por meio de Jesus (1 Coríntios 15:3-4; Atos 2:32-39).

Mas como um grupo que começou em Jerusalém se tornou uma fé presente no mundo inteiro? Pra entender isso, vale acompanhar os acontecimentos principais, sem esquecer uma diferença importante: a história do cristianismo inclui tanto a mensagem de Jesus quanto as escolhas — boas e ruins — feitas por pessoas e instituições que disseram segui-lo.

Jesus era judeu, assim como seus primeiros discípulos. Por isso, o cristianismo não surgiu separado da história de Israel. Os primeiros cristãos liam o Antigo Testamento como preparação pra vinda de Jesus e entendiam que sua morte e ressurreição cumpriam as promessas de Deus (Lucas 24:44-47). Muitos judeus não aceitaram essa conclusão; outros passaram a seguir Jesus.

Depois da ressurreição, Jesus encarregou seus discípulos de anunciar sua mensagem a outros povos (Mateus 28:18-20). Segundo o livro de Atos, ele apareceu a eles durante quarenta dias e, mais tarde, no dia de Pentecostes, o Espírito Santo veio sobre os discípulos. Pedro pregou em Jerusalém, e cerca de três mil pessoas acolheram sua mensagem (Atos 1:3; 2:1-41). A partir daí, vemos uma comunidade que aprendia com os apóstolos, orava, repartia o que tinha e celebrava sua fé em Jesus (Atos 2:42-47).

No começo, essa comunidade estava concentrada entre os judeus. Logo a mensagem alcançou outros lugares e também pessoas que não eram judias. Isso trouxe uma pergunta decisiva: alguém precisava se tornar judeu antes de seguir Jesus? Os líderes da igreja concluíram que não. A salvação não dependia de adotar todos os costumes da Lei de Moisés (Atos 15). Paulo, que antes perseguia os cristãos, tornou-se um dos principais anunciadores dessa mensagem entre os não judeus (Atos 9; Gálatas 1:13-16).

Durante os primeiros séculos, surgiram comunidades cristãs em várias regiões do Império Romano e também fora dele. Os escritos que formariam o Novo Testamento foram produzidos no primeiro século e circularam entre as igrejas. Os cristãos nem sempre eram perseguidos da mesma maneira: houve períodos de relativa tranquilidade e outros de forte violência. Ainda assim, a fé continuou a se espalhar.

Uma grande mudança veio no século IV. O imperador Constantino passou a favorecer o cristianismo, e a perseguição oficial aos cristãos no Império Romano chegou ao fim. Décadas depois, sob Teodósio, o cristianismo ligado às decisões dos concílios recebeu apoio como religião oficial do império. Isso deu às igrejas mais liberdade e influência, mas também aproximou a liderança cristã do poder político.

Nesse período, líderes da igreja se reuniram em concílios pra responder a disputas sobre a fé. O Concílio de Niceia, em 325, por exemplo, tratou da relação entre Jesus e Deus Pai. Essas discussões importavam porque a pergunta por trás delas era central: *quem é Jesus, afinal?* Ao mesmo tempo, o cristianismo não ficou limitado a Roma. Ele também se desenvolveu no norte da África, no Oriente Médio, em partes da Ásia e, mais tarde, em muitas outras regiões.

Com o passar dos séculos, cresceram as diferenças entre as igrejas do Ocidente, ligadas a Roma, e as do Oriente, ligadas a Constantinopla e a outros centros. Havia divergências sobre a autoridade do bispo de Roma, questões de doutrina, costumes e disputas políticas. A ruptura associada ao ano de 1054 tornou-se um marco da separação entre as igrejas Católica Romana e Ortodoxas, embora o afastamento tenha sido gradual.

Na Europa medieval, a igreja teve enorme influência sobre a vida religiosa, a educação e a política. Houve iniciativas de cuidado com os pobres e de preservação do conhecimento, mas também abusos de poder e violência. As Cruzadas, iniciadas no fim do século XI, mostram como interesses religiosos e políticos podiam se misturar de maneira trágica. Seria errado chamar toda a história desse período de corrupção; também seria errado ignorar seus graves erros.

No século XVI, vieram as reformas que deram origem às igrejas protestantes. Martinho Lutero tornou públicas suas críticas em 1517, especialmente contra práticas ligadas à venda de indulgências. Ele e outros reformadores defendiam que a igreja precisava voltar ao ensino das Escrituras e que a salvação é recebida pela graça de Deus, mediante a fé, não comprada ou conquistada por méritos humanos (Efésios 2:8-9). A Reforma não surgiu do nada: outras pessoas já haviam pedido mudanças antes. Também não produziu uma única igreja; com o tempo, apareceram diferentes tradições protestantes. A Igreja Católica, por sua vez, realizou reformas internas.

Nos séculos seguintes, o cristianismo se expandiu ainda mais pelas Américas, África, Ásia e Oceania. Missionários anunciaram o evangelho, traduziram a Bíblia e ajudaram a formar comunidades locais. Essa história, porém, não foi igual em todos os lugares. Às vezes a pregação veio acompanhada de cuidado e serviço; em outras, ficou ligada à colonização e à imposição cultural. É importante não confundir a mensagem de Jesus com tudo o que foi feito em seu nome.

A partir do século XX, o crescimento das igrejas pentecostais e de muitas outras comunidades cristãs tornou ainda mais visível essa presença mundial. Hoje há católicos, ortodoxos e uma grande variedade de protestantes e evangélicos. Eles concordam em pontos fundamentais, mas também têm diferenças importantes sobre doutrina, culto e organização da igreja.

Então, qual é o fio que liga essa longa história ao seu começo? Pra fé cristã, não é um império, uma cultura ou uma instituição humana. É a notícia sobre Jesus Cristo, anunciada pelos primeiros discípulos e registrada nas Escrituras. Conhecer a história da igreja ajuda a perceber como essa mensagem chegou até nós, a aprender com a fidelidade de muitos cristãos e a reconhecer os erros que não devem ser repetidos. Por isso, a própria Bíblia chama os seguidores de Jesus a permanecerem firmes no ensino recebido e a viverem de acordo com ele (Colossenses 3:16; Judas 3).