O Antigo Testamento conta como Deus criou o mundo, como o pecado passou a fazer parte da vida humana e como Deus começou a cumprir sua promessa de abençoar as pessoas. No centro dessa história está Israel, o povo por meio do qual Deus revelou seus ensinamentos e preparou a chegada de Jesus.
A história começa com a criação. Deus faz o mundo e cria o homem e a mulher à sua imagem, para viverem em relação com ele e cuidarem do que ele fez (Gênesis 1–2). Mas Adão e Eva desobedecem a Deus. A partir daí, a vida humana passa a ser marcada pelo pecado, pelo sofrimento e pela morte. Mesmo diante dessa desobediência, Deus não abandona a humanidade. Em Gênesis 3:15, ele anuncia que um descendente da mulher venceria a serpente. Os cristãos entendem essa passagem como o primeiro sinal da vitória que viria por meio de Jesus.
O mal logo aparece também fora do Éden: Caim mata seu irmão Abel, e, com o passar das gerações, a violência se espalha. Deus julga aquela geração com o dilúvio, mas preserva Noé, sua família e os animais que entram na arca. Depois, faz uma aliança com Noé e promete não destruir novamente toda a vida por um dilúvio (Gênesis 4; 6–9). Mais tarde, em Babel, as pessoas tentam se engrandecer, e Deus confunde suas línguas e as espalha pela terra (Gênesis 11).
Nesse mundo dividido, Deus chama Abraão. Promete dar uma terra aos seus descendentes, fazer deles um grande povo e abençoar, por meio dele, todas as famílias da terra (Gênesis 12:1-3). A promessa parecia improvável: Abraão e Sara já eram idosos e não tinham filhos. Ainda assim, nasce Isaque. De Isaque vem Jacó, a quem Deus dá o nome de Israel; os filhos de Jacó dão origem às tribos de Israel.
Por causa de uma fome, a família vai morar no Egito. Ali, seus descendentes se tornam numerosos, mas acabam escravizados. Deus então chama Moisés para tirá-los de lá. Depois de confrontar o faraó, Deus liberta o povo e o conduz através do mar (Êxodo 1–14). Esse acontecimento, chamado êxodo, se torna uma lembrança central para Israel: Deus ouviu o sofrimento do seu povo e o libertou.
No monte Sinai, Deus faz uma aliança com Israel e lhe dá a Lei, incluindo os Dez Mandamentos. Ela ensinava o povo a viver em relação com Deus e com as outras pessoas. Também estabelecia sacerdotes, sacrifícios e um lugar de adoração, o tabernáculo. Os sacrifícios mostravam a seriedade do pecado e a necessidade de perdão (Êxodo 19–20; Levítico). Mas receber a Lei não significava que o povo passaria a obedecer sempre. Logo, Israel começou a falhar naquilo que havia prometido fazer.
Quando os israelitas chegam perto da terra prometida a Abraão, têm medo de entrar e não confiam em Deus. Por isso, passam quarenta anos no deserto. Depois da morte de Moisés, Josué os conduz à terra de Canaã (Números 13–14; Josué 1–6). A conquista, porém, fica incompleta. Com o tempo, muitos israelitas passam a adorar os deuses dos povos ao redor. No período dos juízes, uma situação se repete: o povo se afasta de Deus, sofre as consequências, pede ajuda, e Deus levanta alguém para livrá-lo (Juízes 2:11-19).
Mais tarde, Israel pede um rei. Saul é o primeiro, mas desobedece a Deus. Depois vem Davi. Deus promete que um descendente dele teria um reino duradouro (2 Samuel 7:12-16). O filho de Davi, Salomão, constrói o templo em Jerusalém. Após sua morte, porém, o reino se divide: ao norte fica Israel; ao sul, Judá, onde continua a família real de Davi (1 Reis 12).
Os reis e o povo dos dois reinos se afastam repetidas vezes de Deus. Os profetas os chamam ao arrependimento e denunciam a injustiça e a idolatria. Também anunciam o que Deus ainda faria. Israel, o reino do norte, é conquistado pela Assíria. Anos depois, Judá é conquistado pela Babilônia: Jerusalém e o templo são destruídos, e muitos habitantes são levados para o exílio (2 Reis 17; 25).
Mesmo nesse período doloroso, Deus não desiste de suas promessas. Jeremias anuncia uma nova aliança, na qual Deus perdoaria os pecados e transformaria o coração do seu povo (Jeremias 31:31-34). Isaías fala de um servo que sofreria pelos pecados de outros (Isaías 53). Outras passagens mantêm viva a esperança de um rei ligado à família de Davi.
Depois, sob o domínio persa, os judeus recebem permissão para voltar. O templo e os muros de Jerusalém são reconstruídos, e líderes como Esdras e Neemias ajudam o povo a retomar sua vida e sua adoração (Esdras; Neemias). Ainda assim, o retorno não resolve tudo: o pecado continua, e as promessas de Deus ainda não se cumpriram por completo.
É assim que o Antigo Testamento termina: olhando para o que Deus prometeu fazer. Ele conta a história de um Deus que julga o mal, mas continua agindo com misericórdia; que escolhe um povo, mas promete abençoar todas as nações. O Novo Testamento apresenta Jesus como aquele em quem essas promessas encontram seu cumprimento.