*Hevel* (também escrito *hebel*) é uma palavra hebraica que significa, literalmente, sopro ou vapor. Pense na respiração que aparece no ar frio: você a vê por um instante, mas não consegue segurá-la. Na Bíblia, essa imagem ajuda a falar de coisas que passam depressa ou que não são tão firmes quanto pareciam.
O sentido muda um pouco conforme a passagem. Às vezes, *hevel* destaca como a vida é breve. O Salmo 39:5, por exemplo, usa a palavra ao comparar a duração da vida humana com algo passageiro. Em outros textos, ela descreve aquilo que é vazio ou não pode cumprir o que promete. É por isso que a palavra também aparece em críticas aos ídolos (Jeremias 2:5; 10:15).
É em Eclesiastes que *hevel* ganha mais destaque. Muitas traduções usam “vaidade” ou “futilidade”, mas nenhuma palavra em português transmite tudo o que o autor quer dizer. Ele observa que a vida passa rápido e que muita coisa nela é difícil de entender. Uma pessoa trabalha, junta bens e morre sem poder controlar o que acontecerá com eles. Pessoas justas também sofrem, enquanto pessoas más às vezes prosperam (Eclesiastes 2:18-23; 8:14). Chamar essas situações de *hevel* não é apenas dizer que “nada tem valor”. É reconhecer que a vida, vista da nossa posição limitada, pode ser passageira, frustrante e impossível de controlar.
Por isso, Eclesiastes não ensina que trabalhar, amar ou aproveitar uma refeição seja inútil. O próprio livro incentiva a receber essas coisas como dádivas de Deus (Eclesiastes 3:12-13; 9:7-10). O erro seria esperar que elas durassem para sempre ou resolvessem, sozinhas, todas as nossas perguntas. Ao final, o livro chama o leitor a temer a Deus e guardar seus mandamentos (Eclesiastes 12:13-14).
Então, quando você encontrar *hevel* na Bíblia, pense primeiro num sopro que logo desaparece. Depois, olhe o contexto: o texto pode estar falando da brevidade da vida, da inutilidade dos ídolos ou das frustrações que não conseguimos explicar. Em Eclesiastes, a palavra nos lembra de viver com humildade: aproveitar com gratidão o que Deus dá, sem exigir que as coisas passageiras nos ofereçam uma segurança que elas não têm.