Hedonismo é a ideia de que o prazer deve ser o principal objetivo da vida. Hedonista é quem vive segundo essa ideia. Na prática, a pessoa passa a avaliar suas escolhas principalmente pelo prazer que elas trazem ou pelo sofrimento que evitam.
Isso não quer dizer, porém, que todo hedonista queira satisfazer qualquer desejo imediatamente. Os filósofos antigos que falaram sobre o prazer não pensavam todos do mesmo jeito. Epicuro, por exemplo, defendia uma vida moderada: ele achava que certos prazeres acabam trazendo mais sofrimento do que alegria. O ponto em comum é colocar o prazer no centro daquilo que faz a vida valer a pena.
A Bíblia não ensina que sentir prazer é errado. Ela diz que Deus nos dá coisas boas das quais podemos desfrutar (1 Timóteo 6:17). Comer com alegria, descansar e aproveitar o resultado do trabalho não são problemas em si. A questão é outra: o que acontece quando o prazer se torna a razão principal de viver?
Eclesiastes ajuda a entender isso. O autor conta que buscou alegria em realizações e prazeres e não se negou aquilo que desejava. Mesmo assim, concluiu que essas coisas não podiam, por si só, dar sentido duradouro à vida (Eclesiastes 2:1-11). Ele não está dizendo que toda alegria é inútil. Está mostrando que, quando esperamos que o prazer satisfaça tudo o que precisamos, ele não consegue cumprir esse papel.
Jesus também alertou que os prazeres desta vida podem ocupar tanto espaço que a pessoa ouve a palavra de Deus, mas não deixa que ela transforme sua vida (Lucas 8:14). Esse é o perigo do hedonismo para o cristão: o prazer deixa de ser algo bom que Deus permite desfrutar e passa a dirigir as escolhas, mesmo quando essas escolhas afastam a pessoa de Deus e prejudicam outros.
Então a diferença não é entre viver com alegria e viver sem alegria. É entre fazer do prazer o objetivo maior e colocar Deus em primeiro lugar. A Bíblia nos chama a buscar o Reino de Deus (Mateus 6:33), a honrá-lo até nas coisas comuns da vida (1 Coríntios 10:31) e a encontrar alegria também na presença dele (Salmo 16:11). O cristão pode desfrutar das coisas boas da vida, mas não precisa fazer delas o sentido da sua vida.