No hinduísmo, guru é um mestre espiritual. Ele ajuda uma pessoa a aprender os ensinamentos de sua tradição e a colocá-los em prática. Dependendo do grupo, pode ensinar textos sagrados, orientar a meditação, conduzir rituais e aconselhar o aluno em sua busca espiritual.
Essa relação costuma ser mais pessoal do que a de um professor com seus alunos numa sala de aula. Tradicionalmente, o discípulo aprendia convivendo com o guru, ouvindo seus ensinamentos e observando seu modo de viver. Muitos gurus também aprenderam com outros mestres, formando uma sequência de ensino passada de uma geração pra outra. Hoje, alguns continuam a orientar discípulos de perto; outros ensinam por livros, palestras e meios digitais.
É importante lembrar que o hinduísmo reúne tradições diferentes. Por isso, nem todo guru ensina a mesma coisa, e nem todos os hindus entendem da mesma maneira a necessidade de ter um guru. Em algumas tradições, ele ajuda o discípulo a buscar *moksha*, a libertação do ciclo de renascimentos. Uma dessas correntes ensina que o *atman*, o eu mais profundo da pessoa, deve ser reconhecido em sua relação com *brahman*, a realidade suprema. Outras correntes explicam a relação entre a pessoa e Deus de outro modo. Seria incorreto dizer que todos os gurus hindus ensinam que a pessoa é Deus.
Pela perspectiva cristã, é possível entender por que alguém valoriza um mestre espiritual: aprender com outra pessoa pode ajudar muito. A Bíblia também fala de mestres e do ensino dado a discípulos, como vemos em Mateus 28:19-20. A diferença está no caminho que cada um ensina. O cristianismo não ensina que precisamos de um guru pra descobrir uma divindade dentro de nós. Ele ensina que nos aproximamos de Deus por meio de Jesus Cristo. É por isso que Jesus se apresenta como o caminho ao Pai em João 14:6, e 1 Timóteo 2:5 o chama de mediador entre Deus e as pessoas.
Em poucas palavras: no hinduísmo, o guru é alguém que orienta outras pessoas na vida espiritual. Seu papel exato depende da tradição a que pertence. Já para o cristão, mestres podem ensinar e ajudar, mas nenhum deles ocupa o lugar de Jesus Cristo.