João conta que, ao entrar no túmulo vazio, Pedro viu os panos usados no sepultamento de Jesus. O pano que havia coberto a cabeça dele estava separado dos demais (João 20:6-7). Esse detalhe faz parte do relato da ressurreição, mas a Bíblia não diz que o pano era um sinal combinado nem explica que sua posição tivesse um significado especial.
Às vezes se conta que Jesus teria dobrado um “lenço” pra avisar que voltaria. Segundo essa história, havia um costume judaico de dobrar o guardanapo ao sair da mesa quando a pessoa pretendia voltar. O problema é que João não está falando de uma refeição nem de um guardanapo de mesa. Ele descreve um pano usado no sepultamento. Também não há evidência confiável de que aquele suposto costume judaico existisse na época de Jesus.
Há ainda uma diferença importante nas traduções: algumas dizem que o pano estava “dobrado”; outras, que estava “enrolado”. Por isso, não dá pra afirmar que Jesus o dobrou de um jeito específico pra transmitir uma mensagem.
O que João quer que a gente perceba é que o túmulo estava vazio e que os panos haviam ficado ali. Logo depois, ele conta que o outro discípulo entrou, viu e creu (João 20:8). Podemos notar o cuidado com que João descreve o que os discípulos encontraram, sem precisar dar ao pano um significado que o texto não dá.
Jesus voltará, mas sabemos disso por suas promessas e pelo ensino bíblico — não por um suposto código deixado no túmulo (João 14:3; Atos 1:11).