O grego koiné era a forma de grego usada por muita gente na época de Jesus e dos apóstolos. *Koiné* quer dizer “comum”: não era uma língua diferente do grego, mas o grego que havia se espalhado por várias regiões. Por isso, escrever nessa língua ajudava os textos do Novo Testamento a chegar a comunidades de lugares diferentes.
Essa expansão começou séculos antes de Jesus, depois das conquistas de Alexandre, o Grande. Mesmo quando Roma passou a governar boa parte daquelas regiões, o grego continuou muito usado, especialmente no leste do Império Romano. Judeus e não judeus podiam se comunicar por meio dele. Muitos judeus também conheciam as Escrituras numa tradução grega conhecida como *Septuaginta*.
Isso não quer dizer que todo mundo falava grego. Na terra de Jesus, por exemplo, o aramaico também era usado. Nem quer dizer que o koiné fosse apenas a fala de pessoas sem estudo: os escritos daquela época mostram estilos bem diferentes. O ponto é que o grego era uma língua compartilhada por muitas das comunidades às quais os apóstolos e seus companheiros escreviam.
Dá pra perceber a importância disso nas cartas de Paulo. Ele escreveu a cristãos de cidades como Corinto, Filipos e Tessalônica. O grego permitia que suas mensagens fossem lidas e ensinadas nessas comunidades. Os Evangelhos e os demais livros do Novo Testamento também podiam circular entre leitores de várias regiões, sem ficar restritos à língua de um único povo.
A Bíblia não diz que Deus escolheu o koiné por ele ser uma língua mais humilde que outras. Essa seria uma conclusão além do que o texto bíblico afirma. O que podemos dizer com segurança é que o Novo Testamento foi escrito numa língua amplamente usada naquele tempo, adequada pra comunicar a mensagem de Jesus a judeus e não judeus em muitos lugares.