A Grande Bíblia foi uma Bíblia em inglês publicada em 1539 para ser lida nas igrejas da Inglaterra. O nome tem uma explicação bem simples: ela era grande de verdade, feita para ficar à disposição numa igreja, e não para ser carregada como uma Bíblia de uso pessoal. Em alguns lugares, o exemplar era preso por uma corrente para que ninguém o levasse embora. Por isso, ela também ficou conhecida como Bíblia Acorrentada.
O que tornou essa edição importante não foi uma tradução inteiramente nova. Antes dela, outros homens já tinham traduzido e publicado a Bíblia em inglês. William Tyndale havia feito uma parte importante desse trabalho, e Myles Coverdale aproveitou muito do que ele traduziu ao preparar a Grande Bíblia. A diferença é que essa foi a primeira Bíblia em inglês autorizada oficialmente para uso nas igrejas inglesas. Por isso, não seria correto dizer que ela foi a primeira Bíblia em inglês.
A publicação aconteceu no reinado de Henrique VIII. Thomas Cromwell, um dos principais conselheiros do rei, ajudou a promover o projeto, e Coverdale ficou responsável pela preparação do texto. O objetivo era permitir que as pessoas ouvissem as Escrituras na língua que falavam e entendiam. A Bíblia não precisava mais ser ouvida apenas em latim durante o culto.
Isso ajuda a perceber por que a Grande Bíblia foi tão significativa. Ter uma Bíblia disponível na igreja era um avanço, mas ouvir suas palavras não bastava por si só: era importante também compreender o que elas diziam. Em Neemias 8:8, por exemplo, a leitura da Lei veio acompanhada de explicação para que o povo entendesse. A Grande Bíblia não resolveu todas as dificuldades de acesso às Escrituras, mas abriu mais espaço para que elas fossem ouvidas em inglês nas igrejas.
Então, a resposta curta é esta: a Grande Bíblia foi uma grande edição da Bíblia em inglês, publicada em 1539 e autorizada para leitura nas igrejas da Inglaterra. Seu lugar na história vem, sobretudo, desse passo: tornar a leitura pública da Bíblia mais acessível às pessoas comuns.