A Bíblia não entrega um modelo completo de administração, com regras pra cada reunião e cada decisão. Mas ela deixa claro quem tem a autoridade maior, quem deve cuidar da igreja e como essas pessoas devem exercer a liderança.
A autoridade maior pertence a Jesus Cristo. O Novo Testamento o chama de cabeça da igreja (Efésios 1:22-23; Colossenses 1:18). Por isso, nenhuma pessoa, conselho ou congregação tem liberdade pra conduzir a igreja contra os ensinamentos dele.
Quando olhamos pras igrejas do Novo Testamento, encontramos *presbíteros* responsáveis por cuidar delas. Paulo e Barnabé designaram presbíteros nas igrejas que haviam formado, e Paulo orientou Tito a fazer o mesmo em Creta (Atos 14:23; Tito 1:5). Em geral, essas passagens falam de presbíteros no plural. Isso oferece um fundamento importante pra uma liderança compartilhada, em vez de concentrar todo o cuidado da igreja numa pessoa só.
A Bíblia também usa as palavras *bispo* e *pastor* ao falar desse cuidado. Esses nomes destacam aspectos diferentes do trabalho. Em Atos 20, Paulo chama os presbíteros de Éfeso e diz que o Espírito Santo os colocou como bispos, ou seja, responsáveis por supervisionar e pastorear a igreja (Atos 20:17, 28). Em Tito 1:5-7, ele passa de “presbítero” a “bispo” ao falar das qualificações desses líderes. Isso indica que, nessas passagens, não se trata de dois níveis de autoridade, mas de pessoas encarregadas de cuidar da igreja. Seu trabalho inclui ensinar a Palavra, proteger a igreja de ensinamentos falsos e servir de exemplo (1 Timóteo 3:2; Tito 1:9; 1 Pedro 5:1-3).
Esse cuidado não dá aos líderes o direito de mandar nas pessoas como donos da igreja. Pedro diz aos presbíteros que pastoreiem o povo de Deus sem dominar aqueles que estão sob seus cuidados (1 Pedro 5:2-3). Ao mesmo tempo, a igreja é orientada a respeitar seus líderes e a cooperar com eles (Hebreus 13:17). Liderança responsável e participação dos membros não precisam competir entre si. Em Atos 6:3-6 e 15:22, vemos a comunidade participando de decisões importantes junto com seus líderes.
O Novo Testamento também fala dos diáconos e apresenta as qualificações que devem ter (Filipenses 1:1; 1 Timóteo 3:8-13). Eles servem a igreja em necessidades práticas. Os sete homens escolhidos em Atos 6:1-6 são um exemplo claro de pessoas encarregadas de atender a uma necessidade desse tipo, embora o texto não os chame de diáconos. Tanto pra presbíteros quanto pra diáconos, a Bíblia dá grande importância ao caráter, não apenas à capacidade de organizar tarefas.
Onde surgem diferenças entre cristãos é nos detalhes da organização. Algumas igrejas entendem que cada congregação deve tomar suas próprias decisões; outras mantêm vínculos de supervisão entre várias igrejas. Também há diferenças sobre o modo de escolher líderes e sobre quais decisões cabem à congregação. O Novo Testamento mostra igrejas com líderes locais, mas também mostra os apóstolos orientando igrejas e tratando de assuntos que afetavam mais de uma comunidade, como em Atos 15. Por isso, é preciso cuidado antes de dizer que uma única estrutura moderna é a forma expressamente exigida pela Bíblia.
O mesmo cuidado vale pra posição de um pastor principal. Uma igreja pode confiar a um presbítero a maior parte da pregação e do ensino, sem que ele precise tomar todas as decisões sozinho. A Bíblia não estabelece uma regra detalhada sobre a divisão de tarefas ou de autoridade entre os presbíteros. Ela deixa, porém, uma direção clara: os líderes devem servir sob a autoridade de Cristo, cuidar das pessoas com fidelidade e não tratar a igreja como propriedade sua.