São pessoas que Paulo chama de “inimigos da cruz de Cristo” (Filipenses 3:18). Elas se orgulham daquilo que, diante de Deus, deveria levá-las ao arrependimento. Esse é o sentido de ter a glória na própria vergonha: tratar como motivo de honra algo que, na verdade, revela que a pessoa está vivendo longe de Cristo.
Paulo não diz o nome dessas pessoas nesse trecho, nem explica exatamente de que elas se orgulhavam. Por isso, precisamos tomar cuidado pra não afirmar mais do que o texto permite. Uma possibilidade é que ele esteja pensando em pessoas que viviam para satisfazer os próprios desejos. Outra é que esteja incluindo gente que confiava em práticas religiosas e se orgulhava delas, em vez de confiar em Cristo. Essa segunda possibilidade faz sentido porque, no começo do capítulo 3, Paulo alerta contra quem colocava confiança em sinais religiosos exteriores. Ele então conta que tinha muitos motivos pra se orgulhar de sua própria história religiosa, mas deixou de confiar nisso pra depender de Cristo (Filipenses 3:2-9).
O que fica claro é onde estava o erro. Paulo diz que o deus dessas pessoas era o ventre e que elas só pensavam nas coisas terrenas (Filipenses 3:19). Isso não quer dizer que comer ou cuidar das necessidades do corpo seja errado. Quer dizer que os próprios desejos ocupavam o lugar que pertence a Deus. Mesmo que uma pessoa se apresente como religiosa, ela se torna inimiga da cruz quando rejeita, na prática, a necessidade de Cristo e põe sua confiança ou sua satisfação acima dele.
É por isso que Paulo fala com tanta seriedade sobre o destino delas. Ele não está dizendo que alguém será condenado por ter uma fraqueza ou por ainda lutar contra o pecado. O alerta é contra uma maneira de viver que abraça o que é contrário a Deus e ainda se orgulha disso.
Logo depois, Paulo apresenta o contraste: quem pertence a Cristo espera dele a salvação e a transformação que não pode conseguir por si mesmo (Filipenses 3:20-21). Em poucas palavras, os que têm “a glória na sua vergonha” são os que se gabam daquilo que mostra sua distância de Deus, quando deveriam reconhecer sua necessidade de Jesus.