Gênesis 6:4 fala dos nefilins, pessoas que viveram antes do dilúvio e que o texto também associa a homens poderosos e conhecidos em seu tempo. Algumas traduções usam a palavra “gigantes”, mas a passagem não informa a altura deles. Por isso, não dá pra afirmar com certeza que todos eram gigantes no sentido de serem muito altos.
A dúvida maior vem do que Gênesis diz logo antes. O capítulo conta que os “filhos de Deus” tomaram como mulheres as “filhas dos homens” e, em seguida, menciona os nefilins e os filhos nascidos dessas uniões (Gênesis 6:1-4). Quem eram esses “filhos de Deus”? A passagem não explica diretamente, e é daí que surgem as diferentes interpretações.
Alguns entendem que eram anjos que se relacionaram com mulheres. Um motivo apresentado é que a expressão “filhos de Deus” se refere a seres celestiais em passagens como Jó 1:6 e 38:7. Outros entendem que eram homens: por exemplo, homens da linhagem de Sete que se casaram com mulheres de famílias que não seguiam a Deus. Há ainda quem entenda que a expressão se refere a homens poderosos, que tomavam as mulheres que desejavam. Essas explicações tentam dar conta do texto, mas nenhuma resolve todas as perguntas. Gênesis não diz que anjos tiveram filhos com mulheres, nem identifica os “filhos de Deus” como descendentes de Sete ou como governantes.
Também é preciso ter cuidado com o “depois” de Gênesis 6:4. Mais tarde, os espiões enviados a Canaã disseram ter visto nefilins e se compararam a gafanhotos diante deles (Números 13:33). Mas isso aparece no relato daqueles espiões, que estavam assustados; não prova que pessoas do tempo de Noé sobreviveram ao dilúvio. Golias, por sua vez, era um guerreiro muito alto (1 Samuel 17:4-7), mas a Bíblia não o chama de nefilim.
Então, o que podemos afirmar com segurança? Gênesis menciona os nefilins no período anterior ao dilúvio e descreve aquela época como um tempo de crescente maldade humana. O texto não explica com precisão quem eram os nefilins, qual era sua altura ou como surgiram. Seu objetivo principal não é contar a origem de uma raça de gigantes, e sim mostrar o mundo em que Deus anunciou o julgamento do dilúvio — e em que Noé encontrou favor diante dele (Gênesis 6:5-8).