Gibeão era uma cidade de Canaã, perto de Jerusalém. Seu nome está ligado à ideia de um lugar elevado, uma colina. Mas, na Bíblia, Gibeão é lembrada principalmente por uma aliança que começou com um engano e continuou tendo consequências muitos anos depois.
Quando os israelitas entraram em Canaã sob a liderança de Josué, os moradores de Gibeão souberam das vitórias de Israel e ficaram com medo. Em vez de lutar, enviaram homens a Josué fingindo que vinham de uma terra distante. Levaram roupas gastas e comida envelhecida pra tornar a história convincente. Josué e os líderes de Israel aceitaram a explicação e fizeram um acordo de paz com eles, sem consultar o Senhor. Poucos dias depois, descobriram que os gibeonitas moravam ali perto (Josué 9:3-16).
Mesmo tendo sido enganados, os israelitas não atacaram Gibeão, porque haviam feito um juramento em nome do Senhor. Os gibeonitas continuaram vivos, mas passaram a servir a comunidade de Israel em trabalhos ligados ao lugar de adoração (Josué 9:18-27). Mais tarde, quando outros reis atacaram Gibeão por causa dessa aliança, Josué foi socorrer a cidade. É nessa batalha que o livro de Josué relata o extraordinário prolongamento do dia (Josué 10:1-14).
A história mostra duas coisas ao mesmo tempo. Josué errou ao tomar uma decisão importante sem buscar a orientação de Deus. Mas os israelitas também entenderam que não podiam simplesmente descumprir um juramento feito em nome dele. Essa segunda questão reaparece muito tempo depois: o rei Saul atacou os gibeonitas, e, já no reinado de Davi, Deus apontou essa violência como causa de uma fome em Israel (2 Samuel 21:1-2).
Gibeão aparece ainda em outros momentos. Tornou-se uma cidade da tribo de Benjamim destinada aos levitas (Josué 21:17). Foi lá que Salomão ofereceu sacrifícios e recebeu de Deus, em sonho, a oportunidade de pedir o que desejasse; ele pediu sabedoria pra governar (1 Reis 3:4-12).
Portanto, Gibeão é o nome de uma cidade, não de uma pessoa nem de uma doutrina bíblica. Sua história é lembrada sobretudo pelo acordo feito nos dias de Josué: ela ensina o perigo de confiar apenas nas aparências ao tomar uma decisão e a seriedade de cumprir a palavra dada diante de Deus.