Jesus não estava dizendo que é errado pedir ajuda pra crer ou procurar provas antes de aceitar uma mensagem. Ele estava respondendo a líderes religiosos que já tinham visto suas obras e, mesmo assim, pediam mais um sinal para pô-lo à prova.
Pouco antes dessa conversa, Jesus tinha curado um homem e expulsado um demônio. Em vez de reconhecerem o que havia acontecido, alguns fariseus disseram que ele fazia aquilo pelo poder de Satanás (Mateus 12:22-24). O próprio capítulo conta que eles já procuravam um jeito de matar Jesus (Mateus 12:14). Por isso, quando alguns escribas e fariseus pediram um sinal, o problema não era a falta de provas. Era a maneira como estavam reagindo às provas que já tinham diante de si.
É nesse contexto que Jesus chama aquela geração de “má e adúltera”. “Má” descreve sua resistência a Deus. “Adúltera”, aqui, não quer dizer que todas aquelas pessoas cometiam adultério sexual. Os profetas do Antigo Testamento às vezes usavam a infidelidade no casamento como comparação pra falar de um povo que dizia pertencer a Deus, mas se afastava dele (Jeremias 3:20; Oséias 2). Jesus estava dizendo que aqueles líderes, apesar de se apresentarem como fiéis a Deus, rejeitavam aquele que Deus havia enviado.
Então Jesus diz que não lhes seria dado outro sinal, a não ser o sinal de Jonas (Mateus 12:39-40). Jonas passou três dias e três noites no grande peixe e depois voltou a aparecer entre as pessoas. Jesus usa esse acontecimento pra apontar para sua própria morte e ressurreição. Esse seria o sinal decisivo — não porque seus milagres anteriores não importassem, mas porque a ressurreição mostraria de modo especial quem ele é. A comparação com Jonas aponta pra esse acontecimento; não exige que cada detalhe das duas histórias seja idêntico.
A Bíblia não condena toda busca por confirmação. Deus deu sinais em outras ocasiões, e ela também orienta as pessoas a examinarem o que ouvem (Êxodo 4:1-9; 1 João 4:1). A diferença, em Mateus 12, está na atitude de quem pede. Uma pessoa pode dizer sinceramente: “Quero entender se isso vem de Deus.” Aqueles líderes, porém, pediam mais um sinal enquanto desprezavam o que Jesus já tinha feito.
Essa é a razão da resposta tão forte de Jesus. Ele não repreendeu uma dúvida honesta. Repreendeu a recusa de reconhecer a ação de Deus, mesmo quando ela estava diante dos olhos deles.