Pastor Antônio Junior

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Por que Deus mandou destruir os cananeus, até mulheres e crianças?

Autor: Admin

Publicado: 2026-11-05

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Essa é uma das perguntas mais difíceis que alguém pode fazer sobre a Bíblia. A resposta não fica mais fácil quando pensamos nas crianças. Elas não decidiram as práticas dos adultos, e o texto não explica por que cada uma delas deveria morrer. É importante reconhecer essa dificuldade antes de tentar explicar a ordem dada a Israel.

Primeiro, uma distinção ajuda: a ordem contra os amalequitas em 1 Samuel 15 não é a mesma ordem dada a respeito dos povos de Canaã em Deuteronômio 20. As duas passagens têm semelhanças, mas tratam de povos e momentos diferentes. No caso dos cananeus, a Bíblia apresenta a conquista da terra como um julgamento de Deus, não como uma autorização para Israel matar quem considerasse inferior.

Segundo o relato bíblico, esse julgamento não veio de repente. Em Gênesis 15:16, Deus indica que o pecado daqueles povos ainda não havia chegado ao ponto em que ele executaria o julgamento. Mais tarde, Levítico 18 descreve práticas graves presentes naquela terra, incluindo violência sexual e a entrega de filhos a Moloque. Deuteronômio 9:4-5 deixa claro que Israel não receberia a terra por ser um povo mais justo que os outros. O mesmo Deus também julgaria os israelitas quando eles praticassem males semelhantes (2 Reis 17:7-18).

Deuteronômio 20:16-18 dá ainda outro motivo para a ordem: impedir que Israel aprendesse a adorar outros deuses e a praticar o que aqueles povos faziam. E isso de fato se tornou um problema na história de Israel (Juízes 2:11-13). Mas essa explicação não resolve sozinha a pergunta sobre as crianças. Uma criança não pode ser responsabilizada por aquilo que talvez viesse a fazer quando crescesse. Também não sabemos, pela Bíblia, o destino eterno de cada criança que morreu na conquista. Seria errado usar uma suposição sobre isso para tornar sua morte menos grave.

Há um detalhe que ajuda a entender os relatos, embora também não elimine a dificuldade. Os textos usam expressões como “destruir totalmente”, mas o próprio livro de Josué ainda menciona cananeus vivendo na terra depois de campanhas descritas dessa maneira (Josué 10:40; 13:1-6). Por isso, alguns estudiosos entendem que parte dessa linguagem descreve a derrota completa de cidades e exércitos, sem necessariamente afirmar que cada pessoa daquele povo morreu. Outros entendem as ordens de modo mais literal. De qualquer forma, os relatos incluem mortes reais, e não seria honesto tratar a questão como se fosse apenas uma maneira de falar.

A Bíblia também mostra que a origem de uma pessoa não a condenava sem saída. Raabe, que vivia em Jericó, foi poupada com sua família quando acolheu os israelitas (Josué 6:22-25). Isso não apaga o que aconteceu aos demais, mas mostra que a ordem não ensinava que todo cananeu era incapaz de receber misericórdia.

Então, o que podemos afirmar? A Bíblia apresenta a conquista como um julgamento de Deus sobre males graves, executado num momento específico da história de Israel. Ela não a apresenta como um modelo para cristãos atacarem outros povos. Jesus ensinou seus seguidores a amar os inimigos, não a conquistar terras pela violência (Mateus 5:44).

Ao mesmo tempo, a Bíblia não responde diretamente por que mulheres e crianças morreram em cada episódio. Confiar que Deus é justo é uma resposta de fé diante dessa parte que não entendemos; não é uma explicação que faça o sofrimento delas desaparecer. Podemos levar a pergunta a sério, reconhecer o que os textos dizem e admitir com honestidade o que eles não explicam.