O galo costuma lembrar, antes de tudo, a noite em que Pedro negou Jesus. Mas ele também passou a ser usado por alguns cristãos como um lembrete de arrependimento, vigilância e esperança. Não existe um único significado obrigatório para o galo no cristianismo: o relato sobre Pedro está na Bíblia; os outros sentidos vêm da maneira como cristãos, ao longo do tempo, usaram essa imagem.
Na noite em que Jesus foi preso, Pedro afirmou que permaneceria ao lado dele. Jesus, porém, avisou que Pedro o negaria três vezes antes do canto do galo. Foi o que aconteceu. Ao ouvir o galo, Pedro se lembrou do aviso de Jesus e chorou amargamente (Mateus 26:33-35, 69-75). Marcos registra um detalhe a mais: Jesus havia falado que Pedro o negaria antes que o galo cantasse duas vezes (Marcos 14:30, 66-72).
Por isso, quando um galo aparece numa imagem ligada a Pedro, ele recorda aquele momento doloroso. Também pode lembrar algo que veio depois: a falha de Pedro não foi o fim da história. Após ressuscitar, Jesus conversou com ele e lhe confiou o cuidado de seus seguidores (João 21:15-19). O galo, então, pode servir como um chamado a reconhecer o próprio erro e voltar-se pra Jesus, em vez de fingir que nada aconteceu.
Há ainda outros usos dessa imagem. Como o galo canta quando um novo dia se aproxima, alguns cristãos o associam à esperança da ressurreição de Jesus. Outros veem nele um lembrete pra permanecer atentos à volta de Cristo. Nesse caso, a ligação é com o ensino de Jesus pra que seus seguidores estejam vigilantes, sem presumir que sabem quando ele voltará (Marcos 13:32-37). O texto bíblico ensina a vigilância; usar o galo pra representá-la é uma escolha simbólica posterior.
É por isso que se veem galos na arte cristã e no alto de algumas igrejas. A imagem pode trazer mais de uma dessas ideias ao mesmo tempo. Se há uma lembrança bíblica mais direta, porém, é a de Pedro: o canto do galo o fez encarar sua negação de Jesus — e sua história mostra que Jesus não deixou de cuidar dele por causa daquela falha.