A Galileia é uma região no norte da terra de Israel. Ela aparece no Antigo Testamento, mas ganhou uma importância especial porque foi ali que Jesus cresceu e realizou boa parte do seu ministério. Nazaré, onde ele foi criado, ficava na Galileia. Também ficavam ali Caná, onde ele transformou água em vinho, e o lago conhecido como mar da Galileia, perto do qual chamou alguns de seus primeiros discípulos (Lucas 4:16; João 2:1-11; Marcos 1:16-20).
No Antigo Testamento, a região estava ligada especialmente às terras das tribos de Zebulom e Naftali. Josué menciona, por exemplo, Quedes da Galileia, uma cidade de refúgio no território de Naftali (Josué 20:7). Séculos depois, Isaías falou de um tempo em que a região de Zebulom e Naftali, chamada também de “Galileia dos gentios”, veria uma grande luz (Isaías 9:1-2). Essa expressão lembrava que a região tinha contato com povos não israelitas.
Mateus retoma essa passagem quando conta que Jesus passou a morar em Cafarnaum, junto ao mar da Galileia, e começou a anunciar que as pessoas deviam se arrepender, porque o Reino dos céus estava próximo (Mateus 4:12-17). Para Mateus, a luz anunciada por Isaías estava chegando àquela região por meio de Jesus.
Isso ajuda a entender por que a Galileia é tão marcante nos Evangelhos. Jesus ensinou nas cidades e sinagogas dali, curou pessoas e reuniu discípulos. Foi na Galileia que muita gente ouviu suas palavras e viu seus atos de perto (Mateus 4:23-25). Ao mesmo tempo, sua missão não ficou limitada à região: ele também foi a Jerusalém, onde morreu e ressuscitou, e mandou seus discípulos levar sua mensagem a todas as nações (Lucas 24:46-47; Mateus 28:16-20).
Portanto, a Galileia não tem importância na Bíblia apenas por ser o lugar onde Jesus viveu. Ela mostra algo sobre a maneira como Deus agiu: foi numa região que nem todos consideravam importante que Jesus começou a anunciar publicamente as boas-novas do Reino.