O fundamentalismo cristão é um movimento que surgiu entre protestantes, principalmente nos Estados Unidos, para defender ensinamentos da fé cristã que muitos julgavam estar sendo abandonados. A ideia por trás do nome é simples: existem verdades *fundamentais*, sem as quais a mensagem cristã deixa de ser a mesma.
No fim do século 19 e no começo do século 20, alguns estudiosos e líderes religiosos passaram a tratar relatos bíblicos, como os milagres e a ressurreição de Jesus, como histórias que não precisavam ter acontecido de verdade. Em resposta, cristãos conservadores insistiram que esses acontecimentos eram reais e que a Bíblia era digna de confiança. Uma coleção de textos chamada *Os Fundamentos*, publicada no início do século 20, ajudou a dar nome e visibilidade ao movimento.
Entre os ensinamentos defendidos pelos fundamentalistas estão a autoridade da Bíblia, a divindade de Jesus, seu nascimento de Maria por ação do Espírito Santo, sua morte pelos pecados e sua ressurreição real. Não se trata de detalhes pequenos. Os evangelhos apresentam o nascimento de Jesus dessa maneira (Mateus 1:18-23; Lucas 1:26-35), e Paulo diz que, se Cristo não ressuscitou, a fé cristã perde seu fundamento (1 Coríntios 15:12-19).
Isso não quer dizer que todos os fundamentalistas concordem em tudo. Muitos defendem também uma interpretação específica sobre como e quando Jesus voltará, mas cristãos que afirmam as verdades centrais do evangelho podem discordar sobre esses detalhes. Também é importante distinguir a confiança na Bíblia da ideia de que *todas* as suas frases devam ser lidas literalmente. A Bíblia contém história, poesia, parábolas e outras formas de escrita; ler cada passagem com atenção ao seu contexto faz parte de levá-la a sério.
A palavra “fundamentalista” ganhou, com o tempo, um sentido negativo. Às vezes ela é usada para descrever alguém intolerante ou agressivo. Esse uso não explica, por si só, o que o movimento procurou defender. Ao mesmo tempo, a preocupação com a verdade não justifica tratar mal quem pensa diferente. O Novo Testamento chama os cristãos a defender a fé (Judas 3), mas também a fazê-lo com mansidão e respeito (1 Pedro 3:15).
Em poucas palavras, o fundamentalismo cristão nasceu como uma defesa de ensinamentos bíblicos considerados essenciais. Para entendê-lo bem, é preciso separar duas questões: *quais verdades ele procurou preservar* e *como seus representantes agiram ao defendê-las*. A primeira merece ser examinada à luz da Bíblia; a segunda nem sempre esteve à altura da mensagem que desejavam proteger.