Ter uma imagem que represente Jesus não é, por si só, o mesmo que adorar um ídolo. Mas essa pergunta merece cuidado. Uma figura pode ser usada como ilustração numa Bíblia infantil, por exemplo. Também pode passar a receber uma importância religiosa que não deveria ter. E há cristãos que, por entenderem de outra forma o mandamento de Deus, preferem não fazer nem usar representações de Jesus.
Primeiro, vale esclarecer uma coisa: não existem fotos de Jesus no sentido de fotografias tiradas enquanto ele viveu na terra. O que vemos hoje são pinturas, desenhos ou imagens criadas por artistas. A Bíblia não descreve sua aparência com detalhes suficientes pra sabermos como era seu rosto. Por isso, nenhuma dessas imagens pode ser apresentada como um retrato fiel dele.
A preocupação bíblica mais clara é com a adoração de imagens. Em Êxodo 20:4-5, Deus proibiu Israel de fazer imagens pra se curvar diante delas e prestar-lhes culto. A história do bezerro de ouro mostra como até uma imagem associada ao Deus que havia libertado o povo podia desviar sua adoração (Êxodo 32:1-8). Então, o ponto não é apenas *quem* a imagem pretende representar. Importa também *o que a pessoa faz com ela*.
Por isso, não devemos orar a uma imagem, tratá-la como se tivesse algum poder ou achar que precisamos olhar pra ela pra chegar mais perto de Jesus. Nossa confiança e nossa adoração pertencem a ele, não a um objeto. E, se uma imagem nos faz pensar que já conhecemos o rosto de Jesus, é bom lembrar: estamos vendo a escolha de um artista, não uma informação dada pela Bíblia.
Cristãos que aceitam o uso de imagens como ilustrações entendem que o mandamento proíbe adorá-las, não toda representação visual. Outros cristãos entendem que representar Jesus, mesmo sem intenção de adorar a figura, já é inadequado: ele é o Filho de Deus, e uma imagem feita por nós não consegue mostrar quem ele é de verdade. Essa diferença de entendimento deve ser tratada com respeito, sem acusar automaticamente de idolatria quem usa uma ilustração, nem pressionar quem prefere não usá-la.
No fim, ninguém precisa saber como era o rosto de Jesus pra conhecê-lo. Os Evangelhos nos mostram o que ele ensinou, como tratou as pessoas, por que morreu e que ressuscitou. É ali que encontramos o conhecimento de Jesus que realmente importa pra nossa fé.