Os “fortes touros de Basã” são uma imagem dos inimigos que cercavam o autor do salmo. Ele não está dizendo que havia animais de verdade ao seu redor. Está descrevendo como aquelas pessoas lhe pareciam: numerosas, fortes e ameaçadoras, enquanto ele se sentia sem ninguém pra ajudá-lo (Salmo 22:11-12).
Basã era uma região conhecida por seus bons pastos e rebanhos. A Bíblia menciona animais de Basã ao falar da fartura daquela terra (Deuteronômio 32:14). Por isso, chamar os adversários de “touros de Basã” tornava a cena fácil de imaginar: eram inimigos que pareciam ter força de sobra e estavam fechando o cerco.
O próprio salmo ajuda a entender que se trata de uma comparação. Mais adiante, o autor também fala de leões e cães ao descrever o perigo que enfrentava (Salmo 22:13, 16). Ele usa essas imagens pra mostrar seu medo e sua vulnerabilidade, não pra identificar literalmente os inimigos como animais. O texto não diz quem eram essas pessoas, então não dá pra apontar um grupo específico com certeza.
Esse salmo também tem uma ligação importante com Jesus. Na cruz, ele pronunciou as palavras que abrem o Salmo 22, como mostram Mateus 27:46 e Marcos 15:34. Além disso, os relatos de sua crucificação lembram outras partes do salmo, como a zombaria que sofreu e a divisão de suas roupas (Salmo 22:7-8, 18; Mateus 27:39-43; João 19:23-24). Por isso, os cristãos entendem que o sofrimento descrito no salmo também aponta pra Jesus. Isso não significa que “touros de Basã” seja o nome de um grupo específico presente na crucificação; a expressão continua sendo uma imagem de adversários ameaçadores.
Em resumo, os fortes touros de Basã representam inimigos que pareciam poderosos demais pra quem estava sofrendo. No Salmo 22, porém, a aflição não é o fim da história: o autor pede socorro a Deus e depois o louva por tê-lo ouvido (Salmo 22:19-24).