A imersão — colocar a pessoa na água e tirá-la — tem forte apoio no Novo Testamento e expressa de maneira clara o que o batismo representa. Mas é bom distinguir duas perguntas: *qual forma parece corresponder melhor aos exemplos bíblicos?* e *a Bíblia diz expressamente que qualquer outra forma é inválida?* A primeira permite uma resposta mais firme do que a segunda.
Nos relatos bíblicos, o batismo está ligado à água em quantidade suficiente pra que a imersão seja uma leitura natural. Jesus foi batizado no rio Jordão (Marcos 1:9-10). Quando Filipe batizou o homem etíope, os dois desceram à água e depois saíram dela (Atos 8:36-39). Esses relatos não descrevem cada movimento do batismo, mas combinam bem com a prática de mergulhar a pessoa.
O significado do batismo também ajuda a entender essa preferência. Em Romanos 6:3-4, Paulo relaciona o batismo com a morte, o sepultamento e a ressurreição de Cristo. A pessoa que crê em Jesus está deixando pra trás a vida antiga e passando a viver uma vida nova com ele. Descer à água e sair dela representa isso de forma especialmente clara. Ao mesmo tempo, Paulo está explicando, acima de tudo, o que acontece na vida de quem pertence a Cristo; ele não está dando ali instruções detalhadas sobre como realizar a cerimônia.
Por isso, muitas igrejas evangélicas entendem que batizar por imersão é a forma mais claramente apoiada pelos exemplos e pelo significado do batismo no Novo Testamento. Outros cristãos, porém, consideram válido derramar ou aspergir água sobre a pessoa. Eles entendem que o essencial não é a quantidade de água, mas o batismo com água como sinal de identificação com Cristo. Não é preciso concordar com essa conclusão pra reconhecer que há uma diferença entre defender a imersão como a prática mais bem fundamentada e afirmar que a Bíblia declara inválidas, em todas as circunstâncias, as outras formas.
Também é importante não confundir a forma do batismo com a salvação. Jesus mandou fazer discípulos e batizá-los (Mateus 28:19), então o batismo não deve ser desprezado. Mas não é a maneira de aplicar a água que salva alguém. Em Atos 10:44-48, por exemplo, Cornélio e os que estavam com ele receberam o Espírito Santo antes de serem batizados; depois disso, Pedro ordenou que fossem batizados. A fé em Cristo e a resposta de obediência a ele não devem ser colocadas uma contra a outra.
Assim, se a pergunta é qual forma escolher pra seguir mais de perto os exemplos bíblicos, a resposta é o batismo por imersão. Se a pergunta é se toda pessoa batizada de outra maneira precisa necessariamente ser batizada de novo, isso exige considerar também o que aquela igreja entende sobre o batismo e as circunstâncias em que ele aconteceu. Nesse ponto, cristãos que levam a Bíblia a sério chegam a conclusões diferentes.