Porque eles parecem ter algo de que as pessoas precisam, mas não conseguem oferecer o que prometem. Quem chega com sede a uma fonte espera encontrar água. Descobrir que ela está seca é mais do que uma decepção: a pessoa continua com sede. É essa a comparação que Pedro faz em 2 Pedro 2:17.
O próprio contexto mostra que tipo de promessa esses mestres faziam. Pedro diz que eles falavam com arrogância, atraíam pessoas por meio dos desejos humanos e prometiam liberdade. Mas, segundo ele, os próprios mestres estavam dominados pelo pecado (2 Pedro 2:18-19). Chamavam de liberdade aquilo que, na prática, prendia as pessoas ainda mais.
Por isso, “sem água” não quer dizer apenas que seus ensinos eram pouco interessantes ou que não sabiam responder a todas as perguntas. O problema era mais sério: eles afastavam as pessoas da verdade sobre Cristo enquanto davam a impressão de poder ajudá-las. Uma mensagem pode soar convincente e até oferecer alívio imediato, mas não dar vida a quem a segue.
A comparação fica mais clara quando lembramos do que Jesus disse à mulher samaritana: ele ofereceu uma água capaz de satisfazer uma necessidade que a água comum não resolve, ligada à vida eterna (João 4:13-14). Pedro não está dizendo que todo mestre cristão consegue saciar essa necessidade por si mesmo. A verdadeira fonte é Cristo. Um ensino fiel ajuda as pessoas a conhecê-lo; o falso mestre desvia a atenção dele.
Então, a imagem da fonte seca é também um alerta prático. Não basta perguntar se alguém fala bem, promete liberdade ou usa palavras religiosas. É preciso olhar para o que ensina e para onde esse ensino leva. Se contradiz a verdade sobre Jesus e trata o pecado como liberdade, a promessa pode parecer boa — mas não vai matar a sede.