Não. Jesus nasceu como ser humano em um momento da história, mas o Filho de Deus já existia antes do seu nascimento. Essa é a diferença principal: seu nascimento em Belém foi o começo da sua vida humana, não o começo da sua existência.
João começa seu evangelho falando daquele que chama de “a Palavra” e depois identifica como Jesus. Ele diz que a Palavra já existia no princípio, estava com Deus e era Deus. Também diz que tudo o que foi feito veio a existir por meio dela (João 1:1-3, 14). Repare na força dessa última afirmação: se tudo o que foi criado veio a existir por meio do Filho, o próprio Filho não faz parte das coisas criadas.
Paulo ensina a mesma coisa em Colossenses 1:15-17. Ali, Jesus é chamado de “primogênito de toda a criação”, expressão que pode causar dúvida. À primeira vista, “primogênito” pode soar como “o primeiro a ser criado”. Mas Paulo explica logo em seguida que todas as coisas foram criadas por meio de Cristo e que ele existe antes de todas elas. Nesse contexto, “primogênito” destaca a posição de Jesus acima da criação, não que ele tenha sido criado.
O próprio Jesus falou da glória que tinha junto do Pai antes de o mundo existir (João 17:5). Isso ajuda a entender por que a Bíblia fala tanto da sua vida antes de Belém quanto do seu nascimento. Quando Maria deu à luz, o Filho eterno se tornou homem (João 1:14; Gálatas 4:4). Ele não deixou de ser Deus nem apenas pareceu humano: viveu uma vida humana de verdade.
Por isso, a resposta cristã é clara: Jesus não foi criado. Ele sempre existiu como Filho de Deus e, em determinado momento da história, nasceu como ser humano para nos salvar.