Significa que Deus é santo e leva o mal a sério. A expressão não quer dizer que Deus seja feito de fogo, nem que esteja sempre irado. Ela usa a força de um fogo que consome pra mostrar que ninguém pode tratar a presença de Deus, seus mandamentos e seu julgamento como coisas sem importância.
Moisés chamou Deus de “fogo consumidor” ao advertir o povo de Israel contra a idolatria (Deuteronômio 4:23-24). Deus havia feito uma aliança com aquele povo; por isso, adorá-lo e ao mesmo tempo servir a outros deuses seria uma quebra dessa relação. A passagem também diz que Deus é zeloso: ele não aceita que a adoração devida a ele seja entregue a ídolos. Mais adiante, Moisés usa a mesma expressão ao dizer que Deus iria à frente de Israel no confronto com as nações da terra prometida (Deuteronômio 9:3). Ali, o fogo representa seu poder de julgar. Isso não significava que Israel fosse melhor: no mesmo capítulo, Moisés deixa claro que o povo não receberia a terra por causa da própria justiça (Deuteronômio 9:4-6).
Talvez a parte mais difícil seja entender como Deus pode ser amoroso e, ao mesmo tempo, julgar. A Bíblia não apresenta essas coisas como uma contradição. Deus ama, tem misericórdia e é paciente, mas não chama o mal de bem. Seu julgamento não é uma explosão de raiva sem motivo; é a resposta justa de um Deus santo ao pecado.
O Novo Testamento repete a expressão num momento importante. Depois de falar do reino que Deus dá ao seu povo, a carta aos Hebreus chama os cristãos a adorá-lo com gratidão, reverência e temor, porque ele é um fogo consumidor (Hebreus 12:28-29). Ou seja, a graça de Deus nos aproxima dele, mas não o torna alguém a quem podemos tratar com descaso.
É por isso que Jesus é tão importante pra entender essa expressão. O pecado é sério, e nós não conseguimos resolver sozinhos nossa culpa diante de Deus. Mas Deus, em seu amor, enviou Cristo para morrer por pecadores e nos reconciliar consigo (Romanos 5:8-10; 2 Coríntios 5:21). Quem confia em Jesus não precisa escolher entre levar o julgamento de Deus a sério e confiar no amor dele. É justamente em Jesus que vemos os dois: Deus não ignora o pecado e, ainda assim, oferece perdão.
Então, dizer que Deus é um fogo consumidor é um chamado a não brincar com o pecado nem tratar Deus de qualquer maneira. Mas não é um convite a fugir dele. É um convite a se aproximar por meio de Cristo, com confiança, gratidão e reverência.