São as pessoas que vivem sem se submeter a Deus. Em Efésios 2, Paulo usa essa expressão pra descrever a condição em que os próprios cristãos viviam antes de receberem a vida que Cristo dá. Ele não está falando de uma categoria de pessoas piores que as outras, nem apenas de quem comete um pecado especialmente grave. Pouco depois, Paulo inclui a si mesmo e aos demais nessa descrição: todos viviam seguindo seus próprios desejos e precisavam da misericórdia de Deus (Efésios 2:1-4).
Na Bíblia, chamar alguém de “filho” de alguma coisa nem sempre fala de parentesco. Aqui, “filhos da desobediência” descreve pessoas cuja vida é marcada pela desobediência a Deus. Isso não quer dizer que um cristão nunca mais desobedeça. A diferença é entre cometer pecados, dos quais precisamos nos arrepender, e viver sem reconhecer a autoridade de Deus.
Paulo também diz que essas pessoas seguem o modo de viver deste mundo e menciona o “príncipe da potestade do ar” (Efésios 2:2). Essa é uma referência a Satanás e à sua atuação contra Deus. O ponto não é que cada pessoa esteja conscientemente obedecendo a Satanás, nem que ele controle tudo o que ela faz. Paulo está mostrando que, além dos nossos próprios desejos, existe uma influência espiritual do mal neste mundo. Mais adiante, ele volta a falar da luta dos cristãos contra forças espirituais do mal (Efésios 6:12).
Mas Paulo não escreve isso pra deixar ninguém sem esperança. Depois de mostrar a gravidade da nossa condição, ele diz que Deus, por sua misericórdia, nos deu vida com Cristo. A salvação é um presente recebido pela fé, não uma recompensa por termos obedecido o suficiente (Efésios 2:4-9). E essa nova vida muda também o nosso jeito de viver: fomos criados em Cristo pra praticar boas obras (Efésios 2:10).
Então, a expressão descreve quem vive afastado de Deus e em desobediência a ele. Paulo a usa pra lembrar aos cristãos de onde Deus os tirou — e pra mostrar que ninguém deixa essa condição por esforço próprio, mas pela graça de Deus em Cristo.