Significa que Jesus é o Filho de Deus de uma maneira única. Deus também chama de filhos aqueles que creem nele, mas ninguém é Filho como Jesus é. Ele não se tornou Filho ao nascer em Belém nem foi criado por Deus. Ele já existia antes de vir ao mundo e vive em uma relação única com o Pai.
A palavra traduzida por “unigênito”, em passagens como João 3:16, pode causar confusão. Hoje, ela pode soar como se Jesus tivesse sido gerado em algum momento e, portanto, tivesse um começo. Mas esse não é o sentido que podemos tirar da passagem. A palavra grega usada ali destaca alguém que é *único* na relação de que se está falando.
Um exemplo ajuda a perceber isso. Hebreus 11:17 usa essa palavra ao falar de Isaque, embora Abraão também tivesse outro filho, Ismael. Isaque era único por ser o filho que Abraão teve com Sara e aquele por meio de quem Deus havia prometido continuar sua aliança. A palavra, portanto, não precisa significar que não exista nenhum outro filho.
No caso de Jesus, a diferença é ainda maior. Quem crê em Cristo se torna filho de Deus por sua graça (João 1:12). Jesus, porém, é apresentado por João como aquele que já estava com Deus antes da criação e que era Deus (João 1:1-3). Depois, esse Filho veio ao mundo como ser humano (João 1:14). Por isso, chamar Jesus de Filho unigênito não é dizer que ele foi a primeira criatura de Deus. É reconhecer que sua relação com o Pai é diferente da nossa.
Alguns cristãos usam a expressão “eternamente gerado” pra falar dessa relação entre o Pai e o Filho. Nesse uso, “gerado” não quer dizer criado ou produzido em algum momento. A palavra tenta expressar que o Filho é eternamente Filho. É importante não tratar Deus como se fosse um pai humano: pais humanos existem antes dos filhos, mas João não apresenta Jesus como alguém que começou a existir depois do Pai.
Assim, quando João diz que Deus deu seu Filho unigênito (João 3:16), o ponto é este: Deus enviou ao mundo seu Filho único, aquele que já vivia com ele, pra que quem crê em Jesus tenha a vida eterna.