Em Mateus 23:15, Jesus está repreendendo os mestres da Lei e os fariseus. Ele diz que eles se esforçavam muito pra conseguir um convertido, mas, depois disso, faziam dele um “filho do inferno” duas vezes mais do que eles próprios. A expressão é forte porque o problema era grave: eles ensinavam outras pessoas a seguir o mesmo caminho religioso que os afastava de Deus.
Jesus não estava condenando o esforço de ensinar alguém sobre Deus. O problema era *o que* aqueles líderes ensinavam e *como* viviam. No mesmo capítulo, Jesus diz que eles não praticavam o que exigiam dos outros, impunham cargas pesadas às pessoas e gostavam de receber admiração por sua aparência de piedade (Mateus 23:3-7). Pior ainda, em vez de ajudar as pessoas a reconhecer o Reino de Deus, dificultavam sua entrada nele (Mateus 23:13).
Por isso, quando alguém se tornava seguidor deles, não estava simplesmente aprendendo a levar a fé a sério. Corria o risco de aprender também a confiar na própria aparência religiosa, a repetir a hipocrisia dos seus mestres e a rejeitar Jesus. Em Mateus 23:15, “filho do inferno” descreve uma pessoa que está no caminho do julgamento de Deus. Ao dizer “duas vezes mais”, Jesus ressalta como esse convertido podia ficar profundamente preso aos erros que tinha aprendido. O texto não oferece uma medida exata de culpa, nem diz que toda pessoa convertida por um fariseu se comportava da mesma maneira.
Há um detalhe importante: na frase, Jesus chama o convertido de “filho do inferno” e compara sua situação à dos líderes que o instruíram. Assim, a repreensão atinge os dois, mas pesa especialmente sobre os mestres, que deveriam guiar as pessoas pra Deus e, em vez disso, as conduziam pra longe dele.
A advertência continua clara hoje: zelo religioso, por si só, não prova que alguém está ensinando a verdade. É possível trabalhar muito pra conquistar seguidores e ainda assim ensiná-los a confiar no que não pode salvá-los. Jesus queria que as pessoas conhecessem a Deus de verdade, não apenas que se tornassem parecidas com líderes religiosos.